‘Hackers do bem’ divulgam informações para a sociedade

 Os programadores (da esquerda para a direita) Renato Santos de Souza, Eden Cardos cardin, Thiago Rondon e Solli Honório, no Centro Cultural São Paulo. Eles venceram cerca de 400 concorrentes numa competição internacional Foto: Michel Filho / O GloboOs programadores (da esquerda para a direita) Renato Santos de Souza, Eden Cardos cardin, Thiago Rondon e Solli Honório, no Centro Cultural São Paulo. Eles venceram cerca de 400 concorrentes numa competição internacional

Publicado originalmente em O Globo

Na imaginação de boa parte dos cidadãos, hacker é a pessoa que invade páginas da internet, causando por vezes enormes prejuízos operacionais. Mas existem grupos de desenvolvedores prontos para mudar este estereótipo. Já conhecidos como “hackers do bem”, eles usam o tempo livre para criar programas e gráficos que mostrem, de forma simples e amigável, como o governo gasta os recursos. Também produzem e disponibilizam na internet mapas com informações sobre Segurança, Saúde e Educação.

Os primeiros grupos de desenvolvedores preocupados com a transparência pública surgiram há pelo menos três anos e ainda contam com um número restrito de adeptos que se comunicam por meio de listas na internet. Mesmo sendo poucos, eles têm feito bonito em competições internacionais da área. Nestas disputas, a organização estabelece um tempo para que as equipes criem um programa com base em dados disponibilizados por seus respectivos governos.

Em dezembro do ano passado, seis jovens brasileiros venceram cerca de 400 concorrentes da América Latina, após desenvolverem durante 30 horas seguidas um mapa da criminalidade no Rio Grande do Sul, onde é possível saber quais cidades têm maior incidência de um determinado crime.

– Nosso maior desafio é conseguir tratar os dados do que desenvolver a visualização em si. Enquanto o governo não liberar os dados de forma correta, fica mais difícil – explica o desenvolvedor Thiago Rondon, de 27 anos, membro de um grupo chamado Open Data e da equipe vencedora, que vai à Califórnia conhecer a sede da Google, como prêmio.

Estes grupos ainda encontram dificuldades para levar adiante a iniciativa, como a incipiência de dados abertos por parte do governo, ou seja, informações em formato adequado para serem lidos diretamente por programas de computador. O Portal Brasileiro de Dados Abertos funcionará como um grande índice para saber onde estão disponíveis este tipo de informações no governo, mas, por enquanto, existe apenas numa versão de teste. Segundo o ministério, o site ficará pronto somente abril.

– O portal será um ponto de referência, só que para isso acontecer é preciso que os órgãos passem a aderir aos dados abertos – explica o desenvolvedor Alexandre Gomes, de 34 anos, membro do grupo Transparência Hacker que contribuiu para criação do portal por meio de reuniões quinzenais com servidores do Ministério do Planejamento.

A criação da página faz parte das medidas para aumentar a transparência pública e o combate à corrupção, conforme o país se comprometeu no lançamento da Parceria para o Governo Aberto (OGP, sigla em inglês), firmada por oito países em setembro de 2011. Outras 43 nações já manifestaram interesse em participar. O evento contou, inclusive, com a presença dos presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e dos Estados Unidos, Barack Obama.

Pesquisador de Transparência Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fabiano Angélico diz que colocar um portal de dados abertos no ar é importante. Mas não é a única medida a ser tomada.

– Não adianta disponibilizar o dado aberto, por mais bem intencionada que seja essa ação, se você não tiver pessoas que saibam de informática, de cidadania e de transparência. Você tem que saber que informação realmente mais vai ajudar a combater a corrupção. Tem que ter uma equipe, cursos e treinamento para a sociedade em geral – disse ele, ressaltando que, embora o governo precise fazer sua parte, a sociedade também precisa se movimentar.

foto: Michel Filho / O Globo

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