Você é um stalker?

Postado originalmente no Update or die

Nós ainda estamos tateando e descobrindo, por tentativa e erro mesmo, as regras de bom convívio nas redes sociais.

E como estamos, literalmente, mais availables, surgiu um problema diferente: quando as pessoas têm dificuldade de entender se os limites não são de tijolos, mas de bom senso.

O gráfico acima, bem humorado, é uma hipérbole, claro. Mas pode trazer uma reflexão bem interessante.

Eu não acredito que bons modos sejam assim tão diferentes esteja você off ou online. E, mesmo no momento de tanta exposição que vivemos, defendo que certa privacidade deveria ser cultivada e, mais ainda, respeitada.

Que é tentador dar uma espiadinha… bom, isso é compreensível. Taí o sucesso dos reality shows, como “Big Brother” e “Mulheres Ricas”, que não me deixa mentir.

E acho a expressão stalker um pouco arrogante e super valorizada, na maioria dos casos. Afinal, não somos astros de rock internacionais, atores hollywoodianos ou vencedores do prêmio Nobel (pelo menos não eu).

Somos apenas humanos. Demasiadamente humanos, como Nietzsche escreveu. Algumas vezes com mais projeção, outras vezes apenas fazendo nosso trabalho e vivendo nossas vidas – sem glamour, sem jatinhos e champagnes, sem grandes obras.

Digo isso sem qualquer desprezo pelo “comum”. Ao contrário.

Mas, ainda assim, existe um estrelismo de quem vive os tais 15 minutos de fama, que Andy Warhol previu tão bem. Pessoas que se consideram muito importantes, a ponto de se sentirem stalkeadas.

O cinema sempre gostou do tema: uma das stalkers mais famosas é a personagem de Kathy Bates no clássico “Misery” (“Louca Obsessão”, de 1990), com a inesquecível cena do machado. O filme lhe rendeu o Oscar (justíssimo) de Melhor Atriz. Que tenso foi rever o trailer, viu?

E a lista segue, extensa: “Atração Fatal” (1987), “Mulher Solteira Procura…” (1990), ” A Mão Que Balança o Berço” (1992), “Estranha Obsessão” (1996) e mesmo “Cisne Negro” (2010).

Existe, no entanto, uma personagem que é o ícone do termo stalker pra mim: a dissimulada Eve, do excelente “A Malvada” (1950), com a diva Bette Davis no elenco – filme vencedor de 6 Oscars:

E tem também um episódio impagável do Tela Class, de Hermes & Renato, chamado “A Vingança do Ídalo”, que é genial. Se você ainda não viu, prepare-se pra chorar de rir:

Extremos à parte, sempre existiram assédios que consideramos inadequados: as redes sociais apenas facilitaram o caminho. E também deram a algumas pessoas a falsa sensação de que são mesmo famosas por tão pouco…

De outro lado, pessoas que realmente fazem diferença no mundo, muitas vezes, são tão acessíveis e gentis que ainda me fazem acreditar que sim, a humanidade tem esperança. 😉

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