Kassab usa até voto evangélico para seduzir PT

Josias de Souza, no UOL

O prefeito Gilberto Kassab esforça-se para dar uma ossatura teórica ao projeto de juntar o seu PSD ao PT na eleição municipal de São Paulo. Para persuadir o pedaço do petismo que ainda resiste à aproximação, Kassab leva à mesa até o voto evangélico.

No prognóstico de Kassab, desenhado em privado, a disputa paulistana será definida em dois turnos. Sem José Serra, ele não vê o PSDB no segundo round. Acha que estarão no páreo o candidato do PT, Fernando Haddad, e o do PMDB, Gabriel Chalita.

Avalia que, para prevalecer, Haddad terá de agregar ao seu cacife “natural” os votos de gente que costuma torcer o nariz para o PT. É nesse ponto da equação que Kassab se inclui.

Na conta do prefeito, Haddad saltará dos 5% que o Datafolha lhe atribui em seu melhor cenário para o percentual histórico de votos do PT –“entre 30% e 33%”, ele estima. Kassab imagina que seu apoio adicionará à conta algo como 15%.

Nessa antevisão, Haddad seria alçado a patamares situados no intervalo de 45% a 48%. Para vencer, precisa ultrapassar a barreira dos 50%. O triunfo viria, segundo Kassab, do eleitorado evangélico. Um voto que ele diz ser capaz de prover.

Entre quatro paredes, Kassab jacta-se de ter construído pontes com lideranças religiosas como Silas Malafaia, um telepastor da Igreja Assembléia de Deus-Vitória em Cristo. Acha que conseguirá adicionar ao cesto de Haddad algo entre 5% e 7% de votos oriundos do nicho evangélico.

De acordo com o último Datafolha, veiculado em 27 de janeiro, 14% dos eleitores paulistanos declaram que poderiam votar num candidato apoiado por Kassab. Um percentual muito próximo dos 15% que o prefeito inclui como cota pessoal nas contas que faz.

Porém, a pesquisa também mostrou que o apoio do prefeito afastaria do candidato de sua predileção quase metade do eleitorado –46% afirmam que não votariam num postulante apoiado por Kassab. Um dado que o potencial aliado do PT se abstém de considerar.

De resto, a companhia de Kassab embaralharia o discurso do petismo. Haddad teria de fazer ginástica retórica para justificar a parceria com um personagem a cuja gestão o PT sempre se opôs. Lula dá de ombros para as contradições. Defende enfaticamente a aliança.

Kassab deseja indicar o vice de Haddad. Seu preferido é o atual secretário de Educação da prefeitura, Alexandre Schneider. O predileto de Lula é o ex-presidente do BC Henrique Meirelles, que não se mostra, por ora, encantado pela ideia.

A despeito de todos os senões escondidos atrás dos acenos que dirige ao PT, Kassab parece considerar-se o aliado mais poderoso que ele conhece. Multiplica o seu valor por sua autoestima. Ou divide-o por sua autocrítica.

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