Debate na Campus Party: “O jornalista, em geral, é semianalfabeto. É muita gente burra.”

O publicitário Antonio Tabet, criador do site Kibe Loco: quando o assunto é humor, há muita "enganação" no Twitter
O publicitário Antonio Tabet, criador do site Kibe Loco: quando o assunto é humor, há muita “enganação” no Twitter

Rafael Capanema, na Folha.com

O humorista norte-americano Jerry Seinfeld afirmou recentemente que o Twitter é “o maior celeiro de comediantes do mundo” e “está reinventando a comédia stand-up”.

A declaração foi a premissa do debate “Stand-up Twitter”, que ocorreu na noite desta terça-feira (7), na Campus Party, com mediação de Rodrigo Fernandes, criador do site Jacaré Banguela.

No entanto, além de aparentemente discordarem da constatação de Seinfeld, os quatro participantes passaram boa parte do tempo ignorando o tema em prol de outros assuntos, como as discussões sobre humor politicamente incorreto que se seguiram às várias polêmicas protagonizadas por Rafinha Bastos.

Antonio Tabet, criador do site Kibe Loco, afirmou que muitas pessoas com talento para o humor foram descobertas por meio do Twitter, mas que também há muita “enganação”.

“Escrever 140 caracteres [limite dos posts no Twitter] é uma coisa, mas, se você pede para o cara redigir um roteiro de meia hora, nem sempre ele consegue. Ele se desespera, começa a bater a cabeça na parede até sangrar”, disse Tabet.

Maurício Ricardo, do Charges.com.br, era o menos simpático ao Twitter entre os quatro participantes. “Há uma patrulha gigantesca lá. É uma ferramenta que pode ser tão maravilhosa quanto medieval”, afirmou.

Para Ricardo, como “todo o mundo pensa a mesma coisa” no Twitter, logo começam a surgir acusações de plágio quando se publica uma piada sobre o assunto do momento no serviço de microblog.

O humorista disse usar o Twitter apenas para fins profissionais. “Só posto links para o meu site, não falo sobre a minha vida pessoal.”

Tabet ainda ironizou tuiteiros que costumavam atacá-lo no microblog e que, alguns meses depois, vão “trabalhar em uma agência de publicidade digital e ligam pedindo desconto no publieditorial [conteúdo, como post em blog, patrocinado por uma empresa]”.

FALANDO SÉRIO

“No Brasil, os primeiros blogs e perfis de Twitter a ‘bombar’ foram os de humor. Nos Estados Unidos, os primeiros a fazer sucesso foram os politizados”, disse Tabet.

Para o criador do Kibe Loco, a popularidade do humor na internet brasileira influencia os grandes portais de internet do país, que, segundo ele, dão cada vez mais destaque para notícias bizarras.

O jornalista Marcelo Zorzanelli criticou os colegas que reproduzem como se fossem reais as notícias falsas publicadas no site Sensacionalista, em que é redator. “O jornalista, em geral, é semianalfabeto, não tem a menor imaginação. É capaz de ser enganado até pelo vendedor de bala da esquina. É muita gente burra.”

Os quatro participantes constataram com algum pesar que, quando fazem piadas sobre assuntos mais sérios, como política e economia, obtêm muito menos cliques, retuítes e recomendações no Facebook do que quando publicam conteúdo de apelo mais “popular”.

foto: Rafael Andrade/Folhapress

Comentários

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1 Comentário

  1. Robson Mioto disse:

    O povo gosta mesmo é de pão e circo. Quando falamos sobre assuntos mais sérios geralmente uma minoria se interessa. Lamentável isso, por isso no Brasil e em outros lugares a população vira massa de manobra dos políticos e das pessoas influentes.

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