Igreja é lugar de ensinar ciência?

Gali Tibbon/AFP / E agora, meus irmãos, umas palavrinhas sobre o Grande Colisor de Hádrons.

Marcio Antonio Campos, na Gazeta do Povo

Paul Wallace acha que é. Tanto que ele faz justamente isso, como conta neste artigo do Huffington Post!

(Como a breve biografia de Wallace no HuffPo não diz nada sobre uma eventual função de pastor, suponho que não estejamos falando de usar o culto dominical para falar de ciência, e sim de outras oportunidades)

O professor elenca alguns argumentos pelos quais vale a pena investir na educação científica das comunidades:

• Segundo Stephan Lewandowsky, citado por Wallace, há alguns fatores a levar em conta na tentativa de aproximar as pessoas da ciência. A maneira de apresentar a informação importa; as pessoas têm menos resistência a novidades quando elas não ameaçam sua visão de mundo. E, depois que a pessoa tem confirmada sua visão de mundo, fica mais fácil aceitar “evidência inconveniente”.

• Wallace, como professor e membro da igreja, tem a exata noção do “ponto de partida” do restante da congregação, ou seja, conhece o que o frequentador médio sabe sobre ciência, e especialmente o que sua religião diz a respeito de alguns temas.

• Wallace usa o fator preferido daqueles antigos candidatos que só tinham 15 segundos de televisão, o famoso “você me conhece”. Como o professor faz parte da comunidade, participa e reza junto, os demais não o veem com a desconfiança que poderia ocorrer no caso de um desconhecido com sabe Deus que tipo de agenda. Como Wallace “é um deles”, os demais sabem que ele não vai, por exemplo, negar princípios que sua religião considera fundamentais.

• As aulas são dadas em um ambiente que o aluno já conhece e no qual se sente confortável.

“Eu quero que meus companheiros de paróquia tenham esse maravilhamento que abre a mente e vem de uma perspectiva científica, ainda que modesta, da criação. Eu quero que elas vejam que a ciência pode ser um caminho para Deus”, afirma.

Wallace diz estar consciente de que nem todos vão entender ou aceitar o que ele ensina em suas aulas. Mas ainda assim ele espera que sua atitude possa mostrar as pessoas que ciência e religião não estão em guerra, e que seus colegas de igreja desconfiem da próxima vez que alguém venha com o discurso do antagonismo.

Eu perguntei a alguns padres e pastores que conheço sobre as opiniões de Wallace, e se (e em que circunstâncias) eles favoreceriam o ensino de ciências em suas igrejas. Até o momento não recebi nenhuma resposta, mas, quando recebê-las, teremos um novo post. Ainda assim, resolvi publicar esse breve comentário desde já para que outros líderes religiosos que porventura sejam leitores do Tubo também possam deixar sua opinião na caixa de comentários.

foto: Gali Tibbon/AFP

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