Igreja Universal é condenada a indenizar ex-pastor que era obrigado a atingir metas de arrecadação

Publicado originalmente no Extra

A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada a indenizar em R$ 19 mil, por danos morais, um ex-pastor acusado de roubo. A decisão é da Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que negou, por unanimidade, um recurso apresentado pela igreja, e ainda reconheceu o vínculo de emprego ao ex-pastor que era obrigado a cumprir metas de arrecadação.

Em depoimento no Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT-RJ), o pastor contou que foi admitido em 1999 na função de administrador da igreja, com remuneração de aproximadamente R$ 2.400, e cumpria jornada de trabalho de segunda-feira a domingo, das 6h30m às 21h. Tinha apenas uma hora de intervalo. Anos depois, em 2007, seu salário foi reduzido em R$ 1.200, com a justificativa de repor perdas causadas pelo não cumprimento das metas de arrecadação estabelecidas pela igreja.

No mesmo ano, em 2007, ele contou ter sido acusado pelos superiores de ter se apropriado indevidamente de parte de uma doação de R$ 23 mil. Por conta disso, foi enviado para outra filial, onde passou a trabalhar como servente e ser motivo de comentários.

Um mês depois, foi dispensado da nova função e informado de que deveria deixar a casa onde residia com a família, “sob pena de se arrepender de permanecer no imóvel”.

Em sua defesa, a Igreja Universal alegou que jamais manteve relação de trabalho com o pastor evangélico. Durante os oito anos o pastor atuou como “colaborador autônomo para os fiéis”, a igreja disse ao TRT que ele recebia um “subsídio pastoral”, ou seja, uma ajuda de custo para ele e sua família.

A 65ª Vara do Trabalho do Rio, na sentença, observou que, segundo as provas testemunhais colhidas, o pastor exercia a função de administrador da igreja, na qual tinha que cumprir tarefas e obedecer a orientações da igreja, “inclusive de arrecadação das doações, cumprindo metas, por todo o dia, com exclusividade”. Ficou comprovado ainda que ele teria sido dado como “ladrão” publicamente entre os integrantes da igreja.

Foto: Guilherme Pinto / Extra

dica da Aline Reguine

Comentários

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2 Comentários

  1. Salerno Neto disse:

    Queira Deus que os mesmos critérios aplicados nesta decisão chegues as demais denominações, não só as neopentecostais, não só a do Edir Macedo. Já passou da hora de reconhecer os direitos de milhares e milhares de pastores e obreiros que são obrigados sim a   cumprir metas e horários estabelecidos pelos conselhos das igrejas, que são cobrados por resultados, por evangelismo e por visitações feitas ou não, que são despedidos sumariamente, postos na rua a ver navios com suas famílias, etc. Quem não conhece um caso assim em qualquer denominação? Se isto é trabalho voluntário, não sei então o que é voluntariado. Tomara as denominações históricas e igrejas tomem vergonha e passem a cuidar também dos seus. Afinal, filho de pastor também tem o mesmo direito de comer hamburguer nos mesmos lugares que os filhos dos membros, têm o mesmo direito de frequentar as mesmas escolas, fazer as mesmas viagens ao exterior, etc. O que falta é grana, remuneração decente. Faltam também assistência médica, plano de previdência, etc. Ou só a membresia pretende gozar a aposentadoria ‘com classe’? A grande verdade é que muitos milhares de pastores neste Brasil a fora são apenas escravos explorados por suas denominações e igrejas. Basta!

  2. Romildo lima disse:

    até que em fim foi revelado publicamente a pressão de metas estabelecidas.quando eu era de lá nem me passava pela cabeça tal barbaridade…mas o caso deste pastor não é nenhum caso isolado. quem deseja conhecer mais a IURD recomendo que a leitura do livro:

    ” nos bastidores do reino. a   historia secreta da igreja Universal.”

    Romildo lima- blogueiro
    evangelho1.blogspot.com

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