Odeio a nova pseudo-intelectualidade

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Claudio Ferreira Logan, na Obvious Magazine

Odeio os novos pseudo-intelectuais… ahhh, como odeio, mas será que não sou apenas mais um?

Hoje em dia a velocidade de informação é muito maior que quando comecei a me entender por “gente”, uma divina comédia onde os culpados são os “deuses” internet… o “deus” Google, Twitter, TV, celulares, App’s e gadgets em geral, entre outros deuses facilmente encontrados na “modernidade exacerbada tecno-antropofágica” …assim como os deuses americanos citados no livro de Neil Gaiman … criamos aversão ao livro, expulsamos como exorcistas os anjos e demônios e todas as pessoas que pregam os velhos hábitos de aprendizado… endeusamos a máquina, encontramos tudo nela, buscamos informações em vários lugares, sabemos coisas que não precisaríamos saber, a uma velocidade incrível, e valorizamos muito isso, enfim… muito barulho por nada… até as conversas banais deixaram de ser tão supérfluas, chegamos em um estágio em que procuramos diagnósticos medicos on-line (seria isso babaquice ou apenas mais um estágio da evolução)… ahhh o humano, demasiado humano, a incessante busca pelo conhecimento, auto conhecimento, pseudo-conhecimento, humanos que as vezes vivem correndo atrás do rabo como o animal que um dia ele próprio domesticou… nos tornamos uma metamorfose de nada, para o nada, indo para lugar nenhum…

Ahhh como eu odeio a estagnação do mundo moderno em que tudo se busca na internet… achando que estão com a bíblia ou o diario de um mago na mão quando em frente a tela do computador, verdadeiros apanhadores nos campos de centeio, da inutilidade… quando precisam ler um livro ou estudar determinado assunto, recorrem a resenhas e/ou resumos prontos e mal escritos, criados por verdadeiros advogados do diabo, que os redigem sem profundidade, veracidade e originalidade… maldita sapiência de internet, nesse admirável mundo novo… com seus seguidores pagãos iluminados, religiosamente fiéis, seguindo o anticristo virtual… gurus tecnológicos e suas profecias em posts beatificados, e vlogs que arrastam multidões a espera de um milagre… será que um dia isso vai mudar? isso não vai mudar, ou será que só amanhã… isso é… se houver amanhã…

Ahhh, como eu odeio gente que quando indagadas se estão estudando? Respondem prontamente, “…não, não, Já sou formado”, …em plena era da informação, você responde com todo seu ar de autoridade e sua formaçãozinha atrofiada em um dispêndio de intelecto plastificado, se “achando”, achando que o seu aprendizado está finalizado e continua linear… achando, achando, achando… achando que é inteligente, quando na verdade é o idiota!

Não seja um pseudo alguma coisa… estude muito, leia quadrinhos, livros, revistas, jornais e tudo que encontrar pela frente, ouça muita música( sei que é difícil hoje em dia), assista filmes estrangeiros (coisas boas vai, e não só os enlatados americanos, cinema não é só isso), veja séries, animações, clipes, e etc., seja uma esponja… aprenda, faça fotossíntese com o aprendizado, nunca será demais… e de quebra você deixará de ser apenas mais um no mundo… fuja da mediocridade contemporânea.

Busque realmente saber as coisas, você não precisa conhecer profundamente todos os livros, filmes e musicas mas precisa conhecer alguns deles… faça contatos, escute, preste atenção as pessoas que admira, converse sobre tudo, nunca discuta politica e religião, mas saiba falar das duas com propriedade… procure sempre a profundidade ao invés da superficialidade…

Tem uma frase que resume brilhantemente isso:
“Quem sabe que é profundo busca a clareza. Quem deseja parecer profundo para a multidão, procura ser obscuro porque a multidão toma por profundo aquilo cujo o fundo não vê, ela é medrosa… exita em entrar na água” – Friedrich Nietzsche.

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