“Neste país é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que pobre ter justiça”

Renato Dobelin foi morto em 2008 e o caso foi arquivado. Foto: Rose Mary de Souza/Especial para Terra
Rose Mary de Souza, no Terra

Outdoors espalhados em Sumaré e Hortolândia (ambos SP) chamam atenção para um assassinato ocorrido há quatro anos que segue sem solução. Um curto diálogo resume o que sente a família do aposentado Leobino Dobelin, que perdeu o filho Renato, 34 anos, em um latrocínio após sair do trabalho. “Pai, já prenderam os bandidos que me assassinaram?”, pergunta o técnico de informática no outdoor. “Não, meu filho. Aqui neste país é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que pobre ter justiça”, responde Leobino. O titulo é “quatro anos sem Renato, sem justiça e muita revolta. Mais um caso sem solução pelas autoridades públicas”.

Segundo os familiares, na tarde de 20 de janeiro de 2008 o rapaz saiu do trabalho em Sumaré e seguia com sua moto Honda Twister para Hortolândia, onde morava com a família, quando foi rendido por dois homens. Um atirou em sua nuca e ele morreu na hora. Como a polícia não encontrou pistas dos suspeitos, o caso foi arquivado. O cartaz mostra à esquerda a imagem de um jovem sorridente, forte e bonito. Logo a abaixo, em letras miúdas, as datas de nascimento, 27 de janeiro de1973, e morte, 20 de janeiro 2008. A foto do pai é pálida, séria, triste e em preto e branco.

“Eu ia quase todas as semanas na delegacia. Depois de um certo tempo, o delegado telefona e avisa que vai arquivar o processo porque não encontrou nada, não tem provas”, disse o pai, que defendeu que as investigações não podem parar. Além da dor da perda por um tiro disparado por desconhecidos, Leobino sofre ao não se conformar que ninguém foi responsabilizado. “Um menino inteligente, alegre, com a vida peal frente. Eu não me conformo, tem que haver uma solução, o criminoso precisa pagar pelo seu crime”, afirmou.

Falta de pistas
Essa não é a primeira vez que o pai instala os outdoors. Em 2009, quando completou um ano da morte, a mensagem dos cartazes chegou ao gabinete do secretário de Segurança Pública do Estado, que determinou, segundo Dobelin, a transferência do processo do 2º Distrito Policial de Sumaré à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Americana. “Ficamos esperançosos, mas mesmo assim a polícia não encontrou nada”, disse.

Segundo a DIG, os investigadores realizaram novas apurações, mas não encontraram fato que contribuísse à investigação. Segundo a polícia, o inquérito pode ser reaberto se surgirem novas evidências. Inclusive, não desprezam informações que chegarem através do disque denúncia.

Dados da Secretaria de Segurança apontam que a região de Sumaré registrou 13 latrocínios em 2008. A Delegacia Seccional de Americana, responsável por nove cidades da região, esclareceu 27% dos latrocínios registrados entre 2008 a 2011.

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