Sangue pode, mamilos não: política de fotos do Facebook vaza

Facebook proibe fotos de amamentação em que o mamilo da mãe apareça. Foto: Getty Images
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Publicado originalmente no Terra

Fotos de amamentação em que o mamilo da mãe aparece são reprovadas pelo sistema de análise do Facebook, mas outras que mostram ferimentos graves ensanguentados são aprovadas pela política da rede social. Os detalhes de como a análise funciona foram revelados por documentos vazados pela oDesk, uma terceirizada do Facebook, ao site Gawker, segundo o The Guardian.

Segundo as descrições, embora mamilos sejam considerados nudez e estejam proibidos, “imagens gráficas” de animais “em contexto de caça ou comendo, como acontece na natureza” são permitidas. O sistema aprova também fotos de fluidos humanos – como sangue, excluindo-se sêmen -, desde que não apareçam pessoas. “Ferimentos profundos” e “cabeças e membros esmagados”, desde que “nenhum interior seja mostrado”, também são “ok” de acordo com as guidelines da rede social. A política ainda permite pessoas fumando maconha, mas proíbe fotos com pessoas “bêbadas ou inconscientes”.

O Facebook já detalhara alguns dos critérios quando mães começaram a reclamar que não conseguiam postar fotos delas amamentando seus filhos. Agora, o manual de 13 páginas sobre o que pode ou não aparecer nas imagens da rede social descreve que além da alimentação de bebês lactantes, ficam proibidas as fotos que mostram “protuberâncias dos mamilos femininos e a divisão da bunda”, mas “mamilos masculinos são OK”.

A política do Facebook diz explicitamente que cenas de sexo, “mesmo se as partes nuas estiverem escondidas”, são proibidas, assim como fotos com “pessoas usando o banheiro” e “fetiches sexuais de quaisquer formas”. Comentários grotescos e de preconceito racial “em qualquer forma” também estão banidos, bem como imagens que expressem apoio a “organizações e pessoas conhecidas principalmente por sua violência”. Em relação à violência, aliás, a guideline indica que qualquer pessoa que “mostre aprovação, prazer, envolvimento, etc, com tortura humana ou animal” não é bem vinda no Facebook.

As descrições detalhadas são usadas pelos funcionários da oDesk que monitoram as fotos. Cada vez que um dos 800 milhões de usuários do Facebook clica no botão “denunciar esta foto”, alguém da terceirizada precisa avaliar o conteúdo da imagem. De acordo com um funcionário descontente da empresa, o marroquino Amine Derkaoui, à Gawker, os responsáveis pela tarefa ganham US$ 1 por hora para fazer o trabalho.

Derkaoui divulgara, na última semana, trechos de uma versão anterior do manual. Nela, por exemplo, era possível banir uma obra de arte que apresentasse nudez – o que provocou a ira de alguns fãs que viram um desenho artístico ser removido por isso. A nova versão diz explicitamente que “arte com nudez é OK”, embora “nudez digital/em quadrinhos” ainda conste entre as proibições.

“Estamos constantemente melhorando nossos processos e avaliando nossos terceirizados”, afirmou um porta-voz do Facebook. Ele destacou que os contratados para avaliar os conteúdos não têm acesso às informações pessoais dos usuários denunciados nem denunciadores, e sugeriu a quem tiver interesse em conhecer melhor as políticas da rede social que acesse a página de ‘Padrões da comunidade do Facebook’ – no atalho http://on.fb.me/jlqx86.

Foto: Getty Images

Comentários

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1 Comentário

  1. Marcio Redondo disse:

    Isso é típico (e hipócrita) dos norte-americanos. Outro exemplo são os filmes. Aqueles com cenas de nudez (mesmo sem sexo) são classificados para uma faixa etária superior à daqueles com cenas de violência. Como resultado dessa banalização da violência, não é de estranhar que nos Estados Unidos aconteçam com frequência episódios de assassinatos coletivos (por exemplo, Columbine). E com essa política o Facebook só favorece isso.

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