Andy Warhol ainda é presença forte no mundo da arte

Andy Warhol autorretrato (Foto: Agência EFE)

Mila Trenas para a Agência EFE, na Época Negócios

Apesar do tempo transcorrido desde sua morte, a sombra de Andy Warhol se prolongou e a influência do máximo representante da arte pop continua muito presente na arte atual.

Considerado como um dos artistas mais influentes do século XX e o máximo representante da arte pop, Warhol conseguiu com que os objetos cotidianos se transformassem em obras que conquistaram seu lugar nos museus.

Pintor, ilustrador, cineasta, escritor, sua vida e sua obra fizeram de Warhol, trabalhador incansável, uma das grandes personalidades da arte.

“Uma criança americana dura, com uma vontade e uma astúcia surpreendentes para desviar todos os ventos a seu favor” é a definição de Warhol feita pelo galerista e crítico de arte americano Dave Hickey em livro que escreveu sobre o artista.

Warhol, segundo Hickey, “foi o mais passivo dos revolucionários modernos. Nunca enfrentou ninguém nem levantou a voz. Nunca desafiou nada de maneira direta nem criticou abertamente o status quo. Sempre pareceu fazer o correto na medida do possível, por sua vez, sem se dar conta, colocava as mãos em cima de tudo e provocava uma revolução”.

Andy Warhol Campbell (Foto: Agência EFE)

Mestre da reinterpretação, Andrew Warhol nasceu em Pittsburgh (Pensilvânia, Estados Unidos) em agosto de 1928. Filho de imigrantes checoslovacos, sua infância foi marcada por uma saúde delicada que fez com que passasse longos períodos na cama. Este fato marcou tanto sua personalidade quanto o desenvolvimento de sua criação.

Estudou no Instituto Carnegie de Tecnologia entre 1945 e 1949, ano no qual se estabeleceu em Nova York, onde, já com o nome que o fez famoso, começou sua carreira como desenhista publicitário para revistas de moda como Vogue, Harper’s Bazaar, Seventeen e The New Yorker.

Triunfou no mundo publicitário e editorial, ao qual esteve associado como ilustrador. Ao mesmo tempo, pintou telas cuja temática se baseava em algum elemento ou imagem do cotidiano, da publicidade ou da história em quadrinhos. Sua primeira exposição individual foi organizada em uma galeria de Nova York em 1952 e a partir de então sua popularidade não cessou.

Warhol subiu um degrau a mais na busca de novos modos de expressão, concentrando suas atenções na relação arte-sociedade e nos sistemas de produção seriados, tudo isso de uma forma caracteristicamente americana.

Obsessivo pelas séries, ele eliminou de seus trabalhos os traços expressionistas até reduzir sua obra a uma repetição de um elemento popular procedente da cultura de massas, do mundo do consumo e dos meios de comunicação.

Andy Warhol 1983 (Foto: Agência EFE)

Warhol criou um método de trabalho baseado em processo mecânico de serigrafia com o qual reproduzia suas obras. Os rostos de mitos contemporâneos como Marilyn Monroe, Elvis Presley, Elizabeth Taylor e Mao Tse-tung começaram a ser contemplados no mundo todo da mesma forma que as latas de sopa Campbell e as garrafas de Coca-Cola transformadas em obras de arte durante a década de 70, uma das mais importantes de sua trajetória artística.

Estas intervenções junto a obras universais, sua manipulação e utilização da cor, viva e brilhante, lhe transformaram em um artista polêmico e provocador e ao mesmo tempo famoso no mundo inteiro.

Andy Warhol Mao (Foto: Agência EFE)

Em 1963 fundou The Factory, um estúdio de arte situado no quinto andar do número 231 da rua 47 Este em Midtown, Manhattan, Nova York. O estúdio funcionou entre 1963 e 1968, data na qual Andy transferiu The Factory ao sexto andar do número 33 da Union Square Oeste, próximo do famoso clube e restaurante Max’s Kansas City.

“Todo mundo deveria ter direito a 15 minutos de glória”. Esta é uma das frases famosas de Warhol que se tornou realidade neste estúdio, onde o artista reuniu a seu ao redor um conjunto de estrelas pornô, drogados, drag queens, músicos e pensadores livres que o ajudaram a elaborar seus quadros, atuaram em seus filmes e criaram o ambiente que transformou a Factory em uma lenda.

Truman Capote, Allen Ginsberg, Salvador Dalí, Bob Dylan, Mick Jagger, Fernando Arrabal, Brian Jones ou John Giorno foram alguns nomes dos muitos que passaram pelo estúdio fundado por Warhol, personagem polêmico para muitos, visionário para outros, mas com uma indiscutível capacidade de revolução artística.

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