Não quero ser Eike Batista

Israel Belo de Azevedo, no Prazer da Palavra

Não me interessam as listas sobre os homens mais ricos do mundo. É assunto longe da minha realidade e, talvez, da sua.
Não dinheiro que não me interesse. Interessa porque as despesas me encontram, mesmo que não tenham como pagá-las.
Na verdade, as despesas, que nos chegam em contas, não nos abandonam. Ninguém mais nos escreve cartas, senão os proprietários de nossas dívidas, com os valores que nos são cobrados.
Os senhores de nossas dívidas desejam que gastemos. Gastamos. Dão-nos créditos sem que peçamos ou mereçamos. Aceitamos. Alongam nossos compromissos sem perguntar se podemos honrá-los. Concordamos. Dizem-nos que viver é gastar e dizem de modo tão elegante que acreditamos.
Toda vez que me chega uma cobrança, ela me diz quatro verdades:

1. Gaste só o que você tem. O que você vai ganhar ainda não é seu.
2. Gaste só o que puder gastar. Você precisa pagar o que comprou.
3. Use o seu dinheiro para viver bem. Não para mostrar que tem. Não para figurar numa lista de milionário. Não para conquistar (eu ia dizer: comprar) amigos (que eu ia colocar entre aspas). Não para humilhar os que têm menos (até porque sempre tem alguém que tem mais que você). Não para requerer privilégios. Não para explorar os pobres. Não para adorá-lo como Deus.
4. Aplique seu dinheiro na bolsa da solidariedade. Quem é solidário aprendeu que mais importante que ganhar o mundo inteiro é preservar a alma, vale dizer: é colocar o dinheiro a serviço da alma, aquela nossa parte essencial conectada com a Voz que nos diz que rico é quem ama o próximo.
Mas isto não quer dizer que eu não queira conhecer Eike Batista.

Comentários

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3 Comentários

  1. não disse:

    AGENTE PODIA VIVER HIPPIMENTE. O QUE VC ACHA?TODO MUNDO!
    RSRS ACREDITO TAMBÉM QUE MELHOR É VIVER BEM !

  2. AnaCrisGontijo disse:

    O texto é bem legal, mas o final, que saiu cortado aqui no Pavablog e eu fui buscar lá na postagem original, não me pareceu ter nada a ver com o texto e não ornou. Fala, fala, fala sobre nossa relação com o dinheiro, especialmente com o consumo, e do nada termina com uma frase dizendo que isso não quer dizer que não gostaria de conhecer Eike Batista? Whadahell? Hehe

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