Com ajuda da nova geração, moda evangélica tenta sair da mesmice

Culto na igreja Bola de Neve, que atrai jovens evangélicos na Lapa, em São Paulo (13/10/2011)Culto na igreja Bola de Neve, que atrai jovens evangélicos na Lapa, em São Paulo (Diego Shuda/Folhapress)

Maria Eugênia Tomazini, no UOL

Quando se fala em moda evangélica é difícil, para os que não vivem o dia a dia da igreja, fugir à mente a imagem da jovem escondida atrás de uma longa saia feita num tecido pouco trabalhado, de rosto limpo de qualquer maquiagem e cabelo longo preso em uma trança. Por anos, a imagem estereotipada da jovem evangélica tem sido pautada pela mulher submissa, escondida e pouco preocupada com questões de estilo. Mas os limites deste padrão vêm sendo alterados, principalmente pela presença cada vez mais forte de jovens dentro das igrejas.

A presença de jovens evangélicos na sociedade brasileira aumentou de 17,72% para 21,59% entre 2003 e 2009, um crescimento considerável quando comparado ao aumento do evangélico no Brasil como um todo, de 16,2% para 17,9% no mesmo período, de acordo com a pesquisa “O Novo Mapa das Religiões” publicada em agosto de 2011 pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas.

Embora não acredite que seja uma estratégia pensada por parte das igrejas neopentecostais (religiões evangélicas surgidas a partir dos anos 1970), o pastor Felipe Parente, da Igreja Bola de Neve, concorda que a flexibilidade em certas questões é um atrativo para o jovem se juntar às religiões evangélicas. “Muito do que o jovem quer e acredita  está expresso na identidade de suas roupas e ele acaba indo para uma igreja em que se identifica com os outros membros, mesmo que essa identificação seja, a princípio, por meio das roupas”, diz.

Exatamente por ser uma jovem ‘normal’ e não querer ser rotulada apenas como evangélica é que a estudante Juliana Frade (foto), 22, escolheu uma igreja um pouco mais liberal quando resolveu se converter. “Nossa principal regra é o bom senso. Sou básica e quase não tenho restrições a nenhum tipo de roupa. Mas, dentro da igreja, acho que certas coisas não cabem, como batom vermelho”, explica a jovem que frequenta a Igreja Renascer há dois anos e também é apaixonada por moda. Por conta desta paixão misturada a uma moral cristã, Juliana se nega a usar algumas tendências. “Não uso nada que deixe meu corpo exposto, como minissaia. Não acho bonito. Gosto de coisas que não deixam a mulher vulgar”, diz.

Em seu guarda-roupa, por exemplo, não entram as transparências do cetim e da seda. Mas e renda, como fica? “Só com alguma coisa por baixo”, afirma. Para algumas tendências, a jovem dá seu ‘jeitinho’, como é o caso do shorts. “Quando está muito quente, não aguento e acabo usando comprimentos mais curtos. Mas, neste caso, sempre opto por uma blusa fechada, com manga 3/4”, indica. Lição de moda aprendida para qualquer que seja a religião. E, se em alguns casos é possível ajustar a doutrina à moda do dia a dia, em outros, a fé fala mais alto. “Costumo evitar roupas com caveira, coruja ou olho grego, porque em muitas crenças dizem que estas imagens dão sorte e não acreditamos nisso”, diz.

O jovem se expressar por meio das roupas não é uma novidade. “A moda jovem vai fazer parte da sociedade a partir dos anos 1960, com aquilo que foi chamado de antimoda, uma atitude de transgressão”, explica o professor e historiador de moda João Braga. Ainda de acordo com o acadêmico, o jovem evangélico dialoga com a moda não apenas na forma das roupas. “É possível criar identificação com moda por meio dos tecidos,  texturas e principalmente das cores das roupas.”

É justamente pensando em outras formas de identificação com moda que, há mais de 10 anos, o empresário Valdecir de Oliveira Corsi, criou, em Cianorte, no Paraná, sua primeira marca exclusiva de roupas femininas para mulheres evangélicas, a Marian. “Nasci dentro de confecção e, embora por algum tempo da minha vida tenha ficado longe de roupas, descobri minha vocação”, diz ele. Evangélico, membro da Congregação Cristã do Brasil, uma das linhas mais conservadoras dos neopentecostais, Valdecir vem fazendo um trabalho de mapeamento das preferências da mulher evangélica. “Ela não gosta do vestido longo, mas gosta de comprimentos na altura do joelho. Já as meninas mais jovens, preferem roupas curtas, do tipo um palmo acima do joelho e saias bem rodadas”, diz o empresário que se recusa a trabalhar com comprimentos míni. Outra paixão das evangélicas, segundo ele, são as rendas. “Peças que têm detalhes rendados costumam estourar nas vendas”. No caso, o ‘estouro’ significa que vendeu mais de 350 peças. Para o inverno, a aposta de Valdecir é a imitação do couro. “São as peças mais procuradas pelas jovens”.

Voltando à família Corsi: os número vêm mostrando que o trabalho e o esforço ainda são uma boa receita mesmo em se tratando de fazer moda para determinado nicho. Com uma cartela de mais de mil clientes, vendendo para todo o país e apenas no atacado, além da Marian, o empresário criou, também em 2001, a Via Caruso, marca de roupa para mulheres evangélicas mais reservadas. E, há um ano, nasceu a Hapuk, a menina dos olhos de Valdecir, que foca na moda para jovens evangélicas. Sob sua chefia estão diretamente 50 funcionários, outros 100 trabalham indiretamente e, apenas no ano passado, o faturamento das três marcas esteve na casa dos R$ 8 milhões.

Comentários

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3 Comentários

  1. Liturgia maquiada!!!

    Basta dar um look visual moderno para atrair jovens para a uma armadilha religiosa.

    Sem comentários…afff

  2. Tix Bru disse:

    Sou do Bola de Neve na Baixada Santista e na boa, esse papo de “liberal” é desculpa de gente não posicionada. Uma coisa é andar de skate, surfar, ter dreads no cabelo, isso é normal, agora essa menina dizendo que não existem restrições de roupas é estranho, ou somos luz dentro e FORA da igreja, ou somos trevas em ambos os ambientes. Afinal se a tal JULIANA se preocupa em não ter coisas com animais superticiosos, por usa PIERCING? O piercing é um sinal de chacras, comv significados de espíritos HUNF, vigia ae

  3. as igrejas de uma forma geral tem como meio atrativo, serem mais liberais em muitas questões, e isso não tem nenhum problema, mas o que tem acontecido, e o que temos visto é a corrupção do evangelho, distorcem o evangelho para atrair certos grupos sociais, por exemplo, a palavra não aprova o homossexualismo, então flexiona o evangelho para aceitar este grupo, o evangelho não se adapta a nenhum grupo social, ele é o que é, os grupos que se achegam as igrejas tem que se adaptarem ao evangelho. jesus não veio salvar este ou aquele grupo e sim a todos os homens nesta terra. o punk, surfistas,homossexuais, e outro segmentos, tem que se adaptar aos padrões de Deus.
    porque se não for assim, estamos criando um evangelho, segundo o que eu quero, não o que o Senhor deseja. FICA PARA NÓS ESTE PENSAMENTO MODERNO E EQUIVOCADO: “EU NÃO MUDO MEUS PADRÕES POR CAUSA DE UM EVANGELHO ANTIQUADO, ESSE EVANGELHO, É QUE PRECISA SER MUDADO E ATUALIZADO”. 
    Cuidado assim podemos estar desagradando a Deus.

    AH, e esta Juliana ta fora da casinha ein! Uma jovem “NORMAL” e que não quer ser ROTULADA apenas como EVANGÉLICA?? Nós nascemos pra fazer diferença neste mundo, não para se igualar! Somos a luz e o sal da  terra! MENINA dos olhos de Deus… Bom, Não é um somente rótulo escrito EVANGÉLICOS que nós temos que carregar, mas sim a Cruz de Cristo.

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