Como Kaká pode salvar a seleção (mesmo que no banco)

Kaká, do Real Madrid comemora depois de marcar durante partida no Santiago Bernabéu
Kaká, do Real Madrid comemora depois de marcar durante partida no Santiago Bernabéu

Publicado originalmente na Veja on-line

No duelo desta terça-feira entre Real Madrid e Bayern, primeiro jogo da semifinal da Liga dos Campeões, um dos jogadores mais decisivos e importantes do confronto pode começar o jogo sentado no banco. Perto de completar 30 anos, Kaká não é titular do time espanhol – mas, ainda assim, é tratado como peça absolutamente indispensável na equipe do técnico José Mourinho.

Na Liga dos Campeões, por exemplo, Kaká é o líder geral de assistências, com cinco passes para gols. Lionel Messi, do arquirrival Barcelona, joga todas as partidas, mas tem quatro assistências. A estatística ilustra bem o momento atual da carreira vitoriosa de Kaká. O pior dos problemas físicos já passou, e as contusões não são mais frequentes como antes. O meia pode não ter a mesma explosão muscular do passado, mas continua exibindo seu jogo dinâmico, prático e eficaz, características que fizeram dele o melhor jogador do mundo na eleição da Fifa em 2007.

Fora de campo, mantém a imagem de bom profissional e homem de família – só que está mais independente e maduro. Mas ainda falta algo: Kaká não joga pela seleção brasileira desde a fatídica partida contra a Holanda, na Copa do Mundo de 2010. Por mais que reúna todas as características necessárias para integrar qualquer time do planeta, ainda não convenceu o técnico Mano Menezes de que poder ser um dos líderes da jovem e inexperiente seleção brasileira. Pior: diante dos pedidos por sua convocação, o diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, chegou a dizer que Kaká não serve mais para a equipe nacional.

Com três títulos importantes pela seleção (Copa do Mundo de 2002 e Copa das Confederações de 2005 e 2009), Kaká foi lembrado apenas uma vez por Mano Menezes, mas não conseguiu atender à convocação – sofreu uma contusão dias antes de embarcar para os amistosos contra Gabão e Egito. Mano parece ter ficado irritado com a repetição dos problemas físicos do jogador, já que não repetiu a convocação mesmo após a plena recuperação do meia.

A maior surpresa foi a exclusão de Kaká da lista prévia de jogadores para a Olimpíada de Londres – Mano relacionou 52 atletas, mas nem assim Kaká foi escolhido. O técnico da seleção preferiu colocar o nome de Ronaldinho Gaúcho como alternativa para ser a grande referência da seleção. Em má fase no Flamengo e sem a confiança da torcida brasileira, Ronaldinho dificilmente fará a função de que o técnico precisa – a de liderar um time de jovens talentos, dentro e fora de campo.

O Gaúcho certamente não será capaz de ajudar Neymar a manter o foco na bola em meio ao assédio que sofre a cada aparição em público. Também não poderá mostrar a Ganso como evoluir como jogador e exibir todo o seu talento com a camisa da seleção, superando a reputação de jogador irregular. Kaká, porém, parece ter sido talhado para o papel.

Além das características ideais para participar de um grupo de jogadores jovens, é um dos poucos astros do futebol internacional que aceitariam cumprir uma função secundária, até mesmo na reserva, como mentor da turma de Neymar e Ganso. Em 2014, Kaká terá 32 anos. Talvez seja o caso de a dupla Mano e Andrés rever os seus conceitos…

Por que Kaká deve ser o líder da seleção brasileira em 2014

  • Tem a idade e o perfil ideais
  • Vive bom momento no Real
  • É um dos últimos astros brasileiros
  • É popular e muito admirado
  • Está mais maduro e independente
  • Está acostumado a erguer títulos
  • Joga numa posição onde o Brasil é carente
  • Sem ele, faltam referências no time

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foto: Manuel Queimadelos Alonso/Getty Images

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