Não é obrigatório caçar para ser ‘moderna’

Juliana Dacoregio

Não queremos fazer o papel de mulheres passivas em nenhuma área de nossas vidas, incluindo os relacionamentos. Dizemos que já não engolimos mais a ideia do príncipe encantado. Sabemos que assim como nós, os homens também são imperfeitos e não nos dão a garantia de uma vida segura, feliz e protegida. Só quem pode garantir isso somos nós mesmas, não restam dúvidas. Mas sempre há certa idealização quando se trata de encontrar o cara legal que se encaixe em nossos anseios.

Inevitavelmente, com o tempo aprendemos: idealizações sempre geram decepções. E é nessa de nos decepcionarmos que acabamos virando a mesa e paramos de ficar esperando. Resolvemos ir à caça.

Tudo bem, sou da opinião de que a mulher pode e deve tomar a iniciativa quando está a fim de um cara. Mas será que muitas vezes isso não é motivado por amargura pura e simples e acaba gerando ainda mais dor? Claro, não há como se proteger constantemente de desapontamentos. Caçadoras ou não, podemos quebrar a cara. O problema é quando entramos de cabeça nessa de tomar iniciativas, não porque realmente queremos escolher nossos parceiros sem ter que ficar à espera de um convite, mas para tapar o buraco da solidão ou para sermos “modernas”.

Não existem padrões. A mulher tem todo o direito de convidar um homem para sair, mesmo que queira apenas um lance de uma noite. Nossos hormônios também pedem por sexo e não apenas romance. Mas quando essa atitude é fruto de simples desespero e medo de ficar sozinha os resultados são desastrosos.

Quantas mulheres já não tomaram para si o papel de predadoras e foram para a cama, sozinhas, noite após noite, depois de várias conquistas, com um vazio enorme no peito? Querendo ser acariciadas, se decepcionando por não receberem uma ligação no dia seguinte… Não dá para ser assim. É preciso estar pronta para “agir como homem”, como muitos diriam. Decidiu ir atrás de sexo e não ficar sentada esperando? Ok. Mas banque sua decisão. Sim, talvez você encontre o homem de sua vida em uma dessas transas que a princípio são de uma noite só.

Apesar de ainda existir preconceito por parte de alguns homens, a maioria já deixou para trás as ideias de que mulher que transa no primeiro encontro e toma a iniciativa não é confiável ou “não serve para casar”. Aliás, homem que pensa assim nem vale a pena mesmo, a não ser que você queira ser uma escrava do machismo para sempre.

Mesmo assim, se você quer sexo, quer escolher seus parceiros sem esperar convites, quer tomar à frente no jogo da conquista, esteja preparada. Deixe de lado o romantismo e guarde-o para quem realmente merecê-lo. Ficar se apaixonando a cada “pegada” não dá certo. E se você sabe que corre esse risco ou já aconteceu algumas vezes e você ficou a ver navios, largue mão de querer parecer moderna. Não existe isso de “mulher moderna”. Você é uma mulher e ponto. Não há nada de desabonador em ser seletiva e escolher apenas o que você acredita que pode ser um relacionamento de longo prazo.

Seja o que você for. Não se sinta na obrigação de caçar e transar sem compromisso. Pode ser bom? Claro que pode. Mas pode também causar abalos na sua autoestima? Com certeza! Então deixe de lado os padrões. Seja você mesma: talvez a gatinha manhosa que espera o macho fazer a corte, talvez a leoa que pega, mata e come. Ou, quem sabe, às vezes… uma alternância das duas. Por que não?

fonte: Heresia Loira

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