Aluno é retirado da sala de aula após se negar a participar de oração no PR

Ariane Ducati, no G1

As orações que ocorriam sempre antes da primeira aula no Colégio Estadual General Carneiro, em Roncador, a 400 km de Curitiba, foram suspensas pela direção após um aluno se recusar a participar, ser retirado da sala e denunciar a atitude da professora à Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea).

O aluno, de 16 anos, do 1º ano do Ensino Médio contou ao G1 que é ateu e estuda na escola há seis anos, mas há dois não participa das orações. “Ela [professora de inglês] entrou na sala e mandou todo mundo levantar para participar da oração. Eu e mais um menino ficamos sentados e ela falou pra gente se retirar da sala. Saímos e quando terminou a oração, ela nos chamou”, relatou o estudante.

Segundo o garoto, ele se sentiu discriminado. “Me senti como se fosse pior que os outros alunos”.

O caso foi na quinta-feira (12). Ao chegar em casa, o adolescente comentou o ocorrido com o tio, de 30 anos, que também é ateu. “Fiquei muito bravo, não gostei. Eles não poderiam ter feito isso, foi muita falta de respeito”, disse.

De acordo com o rapaz, a intenção inicial era de procurar o Fórum da cidade para denunciar a escola. Mas ele entrou em contato com a Atea, através de uma rede social, e foi orientado a falar diretamente com o colégio.

Assim que foi contatada, a associação encaminhou um ofício à escola orientando sobre os direitos legais de ateus e agnósticos. O documento cita o artigo 5º da Constituição Federal que estabelece que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença”.

“Ademais, o art.3 da CF afirma que “constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil… IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Uma oração única e obrigatória constitui ação claramente discriminatória contra todos aqueles que não são contemplados por ela, também violando a Lei Maior”, diz o ofício.

Entre outros, o documento também cita o artigo 19 da Constituição que fala sobre a laicidade do Estado brasileiro e estabelece a separação entre Igreja e Estado. Desta forma, por ser uma escola estadual, onde foi o caso, não poderia haver referência à religião dentro do espaço público.

“Tem que criar cultura de liberdade de expressão e de proteção. Como acontece com negros, judeus, gays. (…) A associação ajuda nessa possibilidade de denúncia”, contou o presidente da Atea, Daniel Sottomaior.

A diretora do colégio em questão disse que o “problema já foi resolvido”. Na segunda-feira (16), após reunião, o conselho diretor determinou que não pode mais haver rezas em salas de aula.

Segundo ela, rezar o Pai Nosso antes das aulas era “costumeiro”. “A cidade tem dois padroeiros e a maior parte da comunidade é religiosa. Todos são habituados a ficar em pé e rezar. (…) A professora não fez isso pra constrangê-lo ou discriminar”, apontou.

Após a proibição, o garoto, que contou que passou a não acreditar em Deus quando conheceu mais profundamente as “teorias da ciência”, afirmou que se sentiu melhor. “Senti que minha opinião vale”.

O adolescente ainda comentou que ao voltar pra ela escola, algumas pessoas ficaram “olhando estranho” pra ele. Entretanto, acredita que a medida pode ajudar a acabar com preconceito contra quem é ateu.

imagim via Paulopes

Comentários

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5 Comentários

  1. Gilberto disse:

    Na escola (que ainda frequento) quando o professor pede algo a todos e eu não faço, o mesmo pede para eu me retirar, acho isso justo. Se os 2 alunos não quiseram levantar, abaixar a cabeça e fingir que esta orando, tem que ser retirado da sala de aula, senão o professor perde autoridade.

  2. O aluno, no mínimo, deveria ter levantado, demonstrando algum respeito pela crença alheia. Se a professora foi dura com ele, pedindo que ele saísse da sala e, com isso, desrespeitou sua (não) crença, ele também desrespeitou o direito de seus colegas a culto, afrontando-os.

  3. Entendi: por causa de um aluno que é ateu, a sala inteira deixa de rezar. Certo. Democracia de botequim…

  4. Eumemoedai disse:

    Eu acredito q o maior desrespeito foi do garoto pq ele q primeiro ñ quiz se levantar se mostrando preconceituoso com a religião da maioria da sala e a professora estava certa ja q ele é ateu para ñ desrespeitar ele ela pediu q ele se retirasse. so acho q a escola abriu as portas para os professores serem desrespeitados .

  5. Inês disse:

    Ora, e porque é que nas escolas têm de rezar ? Não é por rezarem na escola ou no início das aulas que os alunos vão deixar de ser mal educados, desobedientes, insultar os colegas ou fazer asneiras . Quando não há unanimidade na religião, a mesma não deve ser obrigada a ser praticada por todos, parabéns aos rapazes que reclamaram os seus direitos.

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