Alexandre Nero: ‘Talvez a maioria da população brasileira seja mesmo homofóbica’

Reprodução Internet

Leo Dias, em O Dia Online

Alexandre Nero surpreendia quem entrava na livraria Fnac, na Barra, semana passada, durante o lançamento de seu disco ‘Vendo Amor’. O ator, que é também músico, cantava bem alto e para quem quisesse ouvir o verso ‘Vamos f… o dia inteiro’. Nero brinca quando as pessoas se surpreendem com sua outra faceta. “Faço isso há um tempinho já, mas, depois que entrei para a televisão, as pessoas têm aquela visão de que eu só faço aquilo, eu sou apenas o ator e ponto”.

Exemplo de talento tardio na televisão – ele estreou aos 38 anos -, o ator confessou à coluna que ainda se assusta com o assédio dos fãs e da imprensa. “Tua privacidade some. Não sou um homem de TV, cheguei com 37, 38 anos. Isso me assusta ainda”. Na entrevista, Nero também analisou a recepção positiva do violento Baltazar, de ‘Fina Estampa’.

Alexandre, você também é músico…

Pois é, faço isso há um tempinho já, mas, depois que entrei para a televisão, as pessoas têm aquela visão de que eu só faço aquilo, eu sou apenas o ator e ponto.

Você musicou poemas?

Sim, são composições minhas, poemas de outras pessoas…

Mas as músicas surpreendem, né? (risos)

Como assim? O que você está querendo dizer?

Você diz lá “eu vou f… o dia inteiro”.

Ahh sim! A ideia do CD era a de falar de um amor mais contemporâneo, né? Por isso, essa linguagem. A poesia, como o humor e a beleza, se transforma. Hoje, ela tende a ser mais direta, menos passarinho, nuvens. Agora é tudo muito rápido, 140 caracteres. E f… o dia inteiro faz parte do amor também. Poderia traduzir tudo isso para “vamos fazer amor”.

F… é diferente de fazer amor?

Não, é a mesma coisa. Você pode f.. com a pessoa que você ama, ué.

Quem são seus ídolos na música? Li que você gosta muito do Sidney Magal.

Eu digo que gosto de tudo e vou de Sidney Magal a Beethoven. Daí, as pessoas só citam o Magal porque ninguém conhece Beethoven. Mas minha música tem referência do Renato Aragão, do cinema… A música não é feita só de música, ela é feita de livros, de cinema e de música, claro. Quando era criança, imitava o Magal, o Roberto Carlos e o Ronnie Von. Mas minhas maiores influências são Caetano, Chico, esses que comecei a ouvir na adolescência.

Vi você dizendo numa entrevista que não queria mais falar de ‘Fina Estampa’. Ainda posso perguntar algo da novela?

Não tem problema nenhum falar da novela, mas é que as pessoas me chamam de personagem o dia inteiro. Na rua, eu sou o Baltazar. Obviamente que tem um tom de brincadeira aí. E eu digo que meu nome é Alexandre na tentativa de convencer as pessoas (risos). As pessoas acham que, me chamando de Baltazar, eu vou ter a sensação de que sou lembrado, mas já ouvi isso 500 vezes no dia.

Nas ruas te chamam mais de Baltazar que Alexandre?

Sem dúvida que me chamam de Baltazar. A novela tem um alcance gigantesco. Eu estava lá como um homem que batia na mulher, um homofóbico.

O fato de contracenar com um personagem carismático, o Crô (Marcelo Serrado), fez com que a raiva do público diminuísse?

Não tinha raiva! As pessoas adoravam o Baltazar.

Mesmo batendo na mulher e sendo homofóbico?

Talvez a maioria da população brasileira seja homofóbica. Há uma semelhança, uma identificação nisso. As pessoas adoraram o Baltazar, mas entenderam que era uma situação cômica.

Você sabia que ele já seria assim?

Não. Ele era um vilão no início. Esse tom cômico foi sendo criado depois. Por mim e pelo Marcelo (Serrado) em cena, pelo Aguinaldo (Silva, autor) e pelo Wolf Maya (diretor da trama).

Você ainda se assusta com o assédio do público?

A força de uma novela no horário nobre é muito grande. Participar disso é prazeroso, mas também muito assustador, é um lugar em que todo mundo te olha. Tua privacidade some. Não sou um homem de TV, cheguei com 37, 38 anos. Isso me assusta ainda. Ainda mais um personagem que era violento, ficava com medo de ser agredido.

Qual é a melhor e a pior parte de ser ator?

A melhor é viver outras experiências, extravasar de uma maneira enlouquecedora sem ser um criminoso. O ator tem o álibi de ser o que quiser. A pior coisa é que você nunca saber se é um ator. Nunca saber se é verdade ou se está atuando. É uma profissão subjetiva e a mais difícil do mundo. Um traço muito perto da loucura.

O que mudou depois da fama?

Fama é diferente de sucesso, né? Sucesso é uma coisa que te dá alicerce e respeitabilidade pelo que faz. Fama é uma coisa extremamente vazia. As pessoas te conhecem nem sabem de onde, te confundem com alguém, com um sobrinho. A fama não me trouxe absolutamente nada de bom. O sucesso sim. É por isso que continuo trabalhando. Na fama, as pessoas te amam ou te odeiam gratuitamente.

Que personagem você tem vontade de fazer na TV?

Quero fazer um bonzinho (risos). Também gostaria de fazer um gay ou comédia caricata. Coisas distantes da minha realidade.

Mas você vai fazer um advogado bonzinho na próxima novela da Gloria Perez, né?

Acho que bonzinho é meio bobo, não gosto. Ele é um cara bom. Mas só sei que é advogado, um homem vaidoso, ainda não sei muito a respeito do personagem.

E quais são seus planos fora da novela?

No final de maio, vou para Curitiba para gravar o DVD desse disco novo. Quando terminar tudo, eu volto e mergulho na novela.

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