Falta de trabalho faz crescer suicídios de jovens japoneses

A Agência Nacional de Polícia credita esse aumento à recessão econômica, agravada pela crise mundial, pela alta do iene e pelo tsunami de 2011

Publicado originalmente no Alternativa Online

Por fracassarem na busca de um emprego ou sentirem que não estão desempenhando o serviço a contento, 150 japoneses com menos de 30 anos cometeram suicídio em 2011. É o segundo ano consecutivo em que se atinge esse número.

Em 2010, foram registrados 159 suicídios nesta faixa etária, representando um crescimento de 2,5 vezes mais em relação a 2007, quando se iniciou a pesquisa, detectando as causas do ato extremo.

Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Polícia com base na análise das cartas das vítimas e nos depoimentos de familiares.

O órgão credita esse crescimento à recessão econômica, agravada pela crise financeira mundial, pois em 2007 o número de pessoas que tiraram a própria vida por terem fracassado ou se frustrado no serviço foi de 60. Em 2008, cresceu para 91, subindo para 130 no ano de 2009.

Pesam ainda neste contexto a alta do iene, o tsunami e a redução das ofertas de emprego para os formandos. Das 150 vítimas, 126 eram jovens masculinos (80%) e 24 mulheres. 52 eram estudantes, 41 deles universitários e quatro do kookoo. Os universitários começam a atividade de busca de emprego no quarto ano.

Especialistas argumentam que o quadro reflete a prolongada retração econômica, com queda na geração de postos de trabalho, contrabalançadas com o crescimento de vínculos laborais temporários e instáveis.

Caso fracassem nas primeiras oportunidades, alguns jovens não veem mais chances para si. Receiam se tornar nitto (jovens desajustados que não trabalham nem estudam) ou trabalhadores temporários sem a perspectiva de um amanhã estável e dignamente remunerado.

Prova de que o mercado de trabalho é mais severo com os jovens é a estatística de 2011, que indica que o nível de desemprego para os candidatos na faixa de 15 a 24 anos foi de 8,2%, bem acima da média total de 4,5%. Constatou-se também que 91% dos candidatos conseguiram colocação, índice mais baixo da história.

O governo prometeu incluir, no plano quinquenal de prevenção de suicídios, uma ação mais pragmática em favor deste segmento, como maior atenção do Hello Work.

No Japão, cerca de 30 mil pessoas decretam a própria morte por desajustes familiares, financeiros, de saúde, e de frustração no trabalho. Isto significa que a cada 17 minutos um cidadão japonês se suicida.

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