Patrão que queria secretária ‘até com rodelas de cebolas’ pagará indenização de R$ 60 mil

Publicado originalmente no Extra

“Eu acho que a gente tem uma química. Sabe por que eu acho? Tu me excita muito quando tô perto de ti […] S. te quero, te quero até com umas rodelas de cebolas […] Tu gostaria de transar comigo? A é, nem curiosidade não tem?”. Com frases como essas, o sócio de uma empresa de veículos em Porto Alegre assediava sua secretária, que após trabalhar de de 5 de abril a 24 de junho de 2010 para ele, pediu demissão. Na semana passada, a 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul (TRT-RS) condenou o ex-patrão e a empresa a pagar uma indenização de R$ 60 mil pelo ato.

Com o assédio sexual constante, a trabalhadora resolveu gravar as cantadas do chefe no celular, que foram utilizadas como prova no processo. Por ela estar em contrato de experiência quando o caso ocorreu, recebendo um salário de R$ 621, o TRT considerou que a atitude do sócio era ainda mais grave. Na sentença há um trecho do depoimento da secretária em que ela conta que foi avisada por outra funcionária de que o sócio tentava transar com empregadas e as que não aceitavam eram despedidas. Ela narra no processo que um dia chegou para trabalhar e havia uma rosa na sua mesa, com um bilhete dizendo que deveria se sentir segura, que o sócio dizia coisas tipo “tu tem a bunda grande”, “eu adoro o furinho que tu tem na barriga” e “se tu ficasse comigo eu te daria a vida que tu sempre quis”, além de dizer que seu marido devia traí-la, pois todo homem faz isso.

Baseado nos depoimentos e nas gravações, o TRT definiu que a situação mexeu com o psicológico da autora e com suas próprias condições de trabalho, uma vez que os atos de assédio praticados de forma reiterada forçaram-na a pedir demissão durante o período do contrato de experiência. Assim, houve a punição por indenização. A empresa e o sócio, contudo, ainda podem recorrer.

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