Sem direito de resposta

Ricardo Gondim

Continuo bombardeado. Perguntas, inquietações, constrangimentos se amontoam. Quase todos os dias alguém chega para contar que “pastor fulano acabou com você no sermão do domingo”. Não passa uma semana sem que recadinhos desaforados entulhem os contatos do site. Já me xingaram com todos os predicados que a piedosa linguagem gospel permite.

Insisto em escrever. Sigo em busca do que me faz sentido. Alio-me a pessoas que não se acovardam naquilo que pensam, sentem, refletem. Leio vorazmente. Procuro preencher a alma com beleza. Faço-me amigo de poetas. Tento brincar com as palavras. Trato de valorizar parênteses – espaços em que não valho por título, fama ou riqueza. Continuo a pastorear minha comunidade de fé – a Betesda.

Diante de tanto mal estar, fico com o “Soneto Antigo” de Cecília Meireles:

RESPONDER as perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma, que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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