À mesa do rei

Israel Belo de Azevedo, no Prazer da Palavra

Era uma vez um rei leal.

Quando seu amigo morreu, ele jurou que cuidaria dos seus filhos.

Ele não era rei ainda quando fez a promessa mas, coroado, não a esqueceu.

Um dia saiu procurando pelo reino um descendente do seu amigo.

Encontrou um ex-empregado da família do amigo que sabia.

Ziba, o ex-empregado, lhe disse que numa cidade obscura (Lo-Debar), havia um aleijado dos pés que era filho do seu amigo Jônatas. Ele vivia de favor na casa de um certo Maquir.

O rei (Davi) mandou chamar o herdeiro: Mefibosete, que estranhou que o poderoso rei se importasse com um cão morto como ele.

Davi lhe devolveu todas as propriedades, suas por terem sido de seu avô e de seu pai.

Além disso, chamou-o para morar no palácio.

E Mefibosete foi feliz para sempre.

Desta história, real, aprendemos várias lições:

1. Quando nos posicionamos como vítimas, temos medo que gestos generosos de outras possam nos alcançar. Afinal, não somos como cães mortos?

2. Quando nos posicionamos como vítimas, fazemos com que os outros nos vejam como coitadinhos, não como pessoas dignas, e perpetuam nossa miséria. Não podemos ser conhecidos por nossas deficiências (“aleijado dos pés”). Serão estas as nossas únicas características, se nós mesmos as destacarmos.

3. Precisamos saber que nosso lugar é à mesa do Rei, não nos cantos, como se vivêssemos de favor (como Mefibosete na casa de Maquir numa cidade inexpressiva). Não importa se temos uma deficiência física ou mental; nosso lugar é à mesa do Rei. Não importa se fomos machucados e feridos na infância ou recentemente; nosso lugar é a mesa do Rei. Não importa se fomos rejeitados; nosso lugar é à mesa do Rei. Ele está à nossa procurar para nos fazer assentar à sua mesa.

foto: Flecha vitoriosa

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