Livro aborda o diálogo criação-evolução

Antonio Carlos Ribeiro, no site da ALC

O grupo é composto por ex-orientandos de Rubio, padre diocesano espanhol, radicado no Brasil desde 1959.

Fé cristã e pensamento evolucionista traz capítulos de teólogos e teólogas católicos e evangélicos, trabalhando temas dos diálogos da teologia da criação com o evolucionismo, defrontando-se com perspectiva fundamentalista, com destaque para a obra de Pierre Teilhard de Chardin e temas como a onipotência de Deus, que sempre provocou vivos debates teológicos.

Segundo Rubio, a proposta é um esforço para superar a tensão entre a teologia da criação e a perspectiva evolucionista, demonstrando como as duas têm proximidades. Ela leva em consideração os postulados e lida com rejeições a priori, possibilitando perceber as angústias que perpassam cientistas e teólogos.

Os autores buscam mostrar porque a perspectiva teológica fundamentalista rejeita o evolucionismo, teme aceitar a evolução e com isso perde ricas possibilidades de aprofundar a fé.

A obra revisa conceitos, retoma dados dos relatos da criação e estabelece proximidades, estabelecendo a legitimidade das perspectivas e ajuda a superar conflitos entre as visões da ciência e da fé, propondo um pluralismo epistemológico para os teólogos e o empirismo como parâmetro último.

A perspectiva pastoral guia essa proposta teológica, explica Rubio, preocupado com o empobrecimento e as limitações da radicalização que as duas perspectivas geram para uma antropologia adequada.  Rejeita a setorização e integra visões que resgata percepções mais enriquecidas da condição humana.

Um risco que os cientistas ainda sofrem é o de confundir a fé em Deus tomando por base apenas uma expressão cultural, como a cultura greco-romana medieval. Quando se avança dessa perspectiva, é possível visualizar a riqueza de compromissos que esses saberes têm com o humano.

O debate sobre estética e ética na ciência e na teologia mostra que elas não devem, necessariamente, estar contrapostas, como acontece entre cientistas e teólogos, especialmente na cultura inglesa, observa o teólogo que se dedicou a estudar antropologia. Não há contradição, explica, havendo caminhos para demonstrar os fundamentos.

Ele recomenda prudência a cientistas e teólogos para se abrirem à busca e enriquecimento da outra dimensão da natureza humana e buscar ver o que esta tem a oferecer.

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