ONU dá dicas de segurança a estrangeiros na Rio+20

Editoria de Arte/Folhapress

Marco Antônio Martins, no Folha.com

As preocupações da ONU (Organização das Nações Unidas) na Rio+20 não se limitam à discussão sobre o futuro sustentável da humanidade. Passa também pela segurança de cerca de 50 mil estrangeiros, integrantes de delegações, esperados na cidade pelo Ministério das Relações Exteriores até o próximo dia 23.

Por isso, a equipe de segurança da ONU elaborou e distribuiu aos seus países membros um manual com dicas de segurança que devem ser utilizadas durante a passagem dos integrantes de comitivas pelo Rio.

O documento tem quatro páginas e foi distribuído há cerca de dois meses. O manual foi feito em, pelo menos, cinco versões: inglês, alemão, francês, espanhol e mandarim. A Folha teve acesso a uma das versões.

As principais preocupações está com o chamado “crime de rua”: assaltos ou furtos de objetos, joias, telefones celulares e documentos. Todos seguidos da maneira de agir caso seja vítima de algum deles. A dica é evitar o uso de qualquer um deles em público. Deve-se andar com pouco dinheiro escondido em bolsas presas à cintura.

Mas as dicas não páram por aí. Os cuidados são tantos, um total de 20, que os estrangeiros não devem usar os serviços dos engraxates de rua, tão comuns no Centro da cidade. Caminhadas à noite ou no início da manhã nas praias devem ser deixadas de lado. Os criminosos se aproveitariam deste momento para atacar os turistas.

Visitas à favelas também não são indicadas. A orientação foi dada mesmo com todas as comunidades localizadas na zona sul do Rio estarem ocupadas pelos projetos das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

Até os tradicionais pontos turísticos do Rio foram alvo da equipe de segurança da ONU. O documento pede atenção nas visitas ao Pão de Açúcar e ao Corcovado. “Embora haja presença significativa da polícia são lugares de atuação de assaltantes”, informa um dos itens do manual.

Passeios de carro foram outra preocupação dos autores do manual. As linhas Vermelha e Amarela, além da Avenida Brasil, principais acessos ao Centro e zona sul da cidade, são apontados como locais violentos à noite, assim como é desaconselhado seguir para o Aeroporto Internacional do Galeão após às 19 horas.

Caso os integrantes de delegações aluguem e queiram dirigir um carro no Rio se aconselha a não parar nos sinais de trânsito, mesmo estando “fechados”. Caso não seja possível avançá-los, a dica é trafegar pelo centro da pista e nunca nas laterais. As portas devem estar travadas e os vidros fechados.

A preocupação não acontece por acaso. Nos quatro primeiros meses deste ano uma média de 94 pessoas foram roubadas por dia nas ruas apenas na cidade do Rio. Número 20% menor que no ano passado, mas ainda alto.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), que contabiliza os crimes no estado, o número de furtos diários chega a 309. Um total de 37.193 pessoas foram furtadas este ano. No mesmo período de 2011 foram 35.778.

A Secretaria de Segurança Pública do Rio informou, através de sua assessoria, que “desconhece essas informações passadas pela ONU aos estrangeiros. No entanto, desde o início da Rio+20 o policiamento conta com 7 mil policiais militares e 390 policiais civis nos eventos oficiais e paralelos, pontos turísticos e de maior concentração de visitantes”.

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