Educação, não legalização do aborto, reduz a mortalidade materna

Publicado originalmente no Diário da Saúde

Educação que salva vidas

Uma análise científica de dados dos últimos 50 anos sobre a mortalidade materna do Chile concluiu que o fator mais importante na redução da mortalidade materna é o nível educacional das mulheres.

A equipe do Dr. Elard Koch, da Universidade Católica de Concepción, analisou o efeito sobre a mortalidade materna exercido pelo histórico educacional (escolaridade) e pelas políticas de saúde da mulher, incluindo a legislação que proibiu o aborto no Chile em 1989.

Os pesquisadores analisaram os fatores com probabilidade de afetar a mortalidade materna, tais como anos de escolaridade, renda per capita, taxa de fecundidade total, ordem de nascimento, abastecimento de água potável, esgoto sanitário e parto por pessoal qualificado.

“Educar as mulheres aumenta a capacidade que elas têm para acessar os recursos de saúde existentes, incluindo atendentes qualificados para o parto, e leva diretamente a uma redução no seu risco de morrer durante a gravidez e o parto”, diz Koch.

Aborto e morte das mães

Uma das descobertas mais significativas é que, ao contrário de suposições amplamente sustentadas, tornar o aborto ilegal no Chile não resultou em um aumento da mortalidade materna.

Os defensores da legalização do aborto argumentam que a ilegalidade leva as mulheres para clínicas ilegais, o que aumentaria sua mortalidade.

Na verdade, após o aborto tornar-se ilegal, em 1989, a Taxa de Mortalidade Materna (TMM) continuou a diminuir de 41,3 para 12,7 por 100.000 nascidos vivos – uma redução de 69,2%.

TMM é o número de mortes maternas relacionadas à gravidez, dividido pelo número de nascidos vivos.

“Definitivamente, o status legal do aborto não tem relação com as taxas globais de mortalidade materna,” destacou o Dr. Koch.

Modelo de saúde materna

Durante o período do estudo – 50 anos – a Taxa de Mortalidade Materna geral declinou dramaticamente, passando de 270,7 para 18,2 óbitos por 100.000 nascidos vivos entre 1957 e 2007 (93,8%), tornando Chile um modelo para a saúde materna em outros países.

As variáveis que afetam essa diminuição incluem os fatores previsíveis, como o acompanhamento do parto por atendentes qualificados, nutrição complementar para as mulheres grávidas e seus filhos nas clínicas de cuidados primários e escolas, instalações limpas e fertilidade.

Mas o fator mais importante, e aquele que aumentou o efeito de todos os outros, foi o nível educacional das mulheres.

Para cada ano adicional de escolaridade materna, houve uma diminuição correspondente na TMM de 29,3 por 100.000 nascidos vivos.

Comentários

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1 Comentário

  1. Juliana Higa Bellini disse:

    O assunto é polêmico e a abordagem é complexa, por isso não acho que a diminuição da mortalidade possa ser associada somente a um fator. a educação das mães realmente é um fato importante, mas pensar em um sistema que atenda adequadamente mães educadas ou não também é importante, no entanto ainda é mais fácil orientar a realidade somente para um fator.
    Ademais, as dados de mortalidade materna oriunda de abortos são muito frágeis, já que sendo ilegal os dados nem sempre representam a realidade, posto também que nem sempre é o Estado a receber as mães doentes e as mortes nem sempre serem registradas como relativas a abortos mal feitos.
    Ao meu ver a questão maior é a legalização do aborto acompanhada de educação materna e paterna e de toda uma sociedade machista e preconceituosa e para tanto, um Estado laico é fundamental nesta e em outras questões.
    A abordagem é complexa demais para ser explicitada somente com uma estatística, como diz o prof. Ariovaldo Umbelino de Oliveira (pelo menos lembro de ler isso em um de seus textos): estatística é forma de mentir com números.

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