Ler, tarefa difícil

 Inspire se: gente incrível lendo (e suas leituras favoritas)

Ricardo Gondim

Leio Saramago. Dono de um texto recheado de percepções sutis, sua pena é ágil. Saramago tem magia, suas provocações tanto se eternizam como se universalizam.

Resolvi copiar um trecho de A Caverna.

Entendo que ler, tarefa difícil, implica em ir além.

Mas qual além?

Deixemos que  o próprio Saramago diga no diálogo entre Cipriano Algor e Marta, a filha:

“Vivi, olhei, li, senti, Que faz aí o ler, Lendo, fica-se a saber quase tudo, Eu também leio, Algo portanto saberás, Agora já não estou certa, Terás então de ler doutra maneira, Como, Não serve a mesma para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados às página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa, A não ser, A não ser, quê, A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ele, a sua própria margem, que seja sua, e apenas sua, a margem a que terá que chegar…”

[A Caverna, Cia das Letras, 2011, pg 77]

fonte: site do Ricardo Gondim

foto: Fala Cultura

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