Sermão do Monte – o cristianismo heróico

O cristianismo não deve ser apresentado como uma consolação vulgar, mas como uma promoção do homem… É vocação para viver como filho de Deus, na condição humana plenamente aceita, por conseguinte, para remodelar continuamente o mundo, todas as formas sociais, todas as instituições, de modo que deem uma imagem menos imperfeita do que deve ser uma comunidade de filhos de Deus…

O cristianismo é um chamado ao heroísmo…

Não há vantagem nenhuma, bem ao contrário, em nos determos no cristianismo dolente e lacrimoso que quer apoiar nas “bem aventuranças” os que apreciam o artificialismo nas coisas espirituais. Como se Cristo se dirigisse aqui a almas feridas!… Que falseamento das máximas decisivas pelas quais Jesus condena, sem apelo, a felicidade barata e as alegrias fáceis, dá-nos o sentido de nossa verdadeira grandeza e ensina-nos que é nosso próprio apetite de felicidade que deve ser transformado…

Nietzsche não errou em salientar tudo o que se insinua preguiça, de medo de esforço, de desejo de um repouso covarde, e acrescentaremos, de egoísmo com todas as suas taras, no desejo espontâneo de felicidade mesmo num cristão. A felicidade à altura de uma alma aproximadamente heroica é a única que Cristo oferece aos que querem segui-lo.

O primeiro trabalho do cristianismo é dar-nos, por mais que tenha de buscar-nos, uma alma desse quilate. Assim não se propõe a nós como uma receita para ser infalivelmente feliz, mas como uma iniciação à verdadeira grandeza.

[Y. de Montecheuil – Mélanges théologiques, p. 183  – citado por François Varillon em Elementos de Doutrina Cristã – Duas cidades – 1]

fonte: site do Ricardo Gondim

imagem: internet

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