Transferência: Trate disso com Jesus

Caio Fábio

Quando alguém diz o que pensa, pelo mero expor, ainda que seja uma exposição impessoal, como esta aqui, na Internet, no meu site, em razão de assim o fazer, com franqueza e liberdade, suscita emoções e reações diferentes.

Como se trata de uma mídia de busca — ou seja: alguém tem que ir até ao lugar/virtual e ler o que foi dito —, seria normal pensar que apenas os identificados com você buscassem os seus pensamentos. E, assim, neles e por eles se alegrassem ou até discordassem, mas sempre dividindo com você a responsabilidade: a sua, a de escrever; a deles, a de procurarem o que somente pode ser lido se for buscado; e, desse modo, acordos e desacordos se tornem parte natural e madura do processo.

Quando, porém, o que você diz importa a muitos, e, por vezes, forja opiniões num mundo de pessoas, há também os que procuram você para verem em que você possa estar afetando o que eles ensinam a outros; e, em tais casos, quando o que você diz difere do que eles ensinam, a revolta que deles procede é equivalente a uma invasão de domicílio; o qual, no caso, foi praticado por eles, quando vieram ao seu lugar/virtual; embora, na prática, pela certeza ou suspeita que eles possuam sobre o impacto divergente do que você esteja dizendo, reajam como se tivessem sido invadidos em suas casas, mentes e almas.

E mais: parece até que você entrou na casa deles e conquistou a mãe do indivíduo, cantou a mulher dele, seduziu sua filha virgem e deixou o filho com crise de identidade. Sim, tamanho é poder que eles atribuem a você!

Entretanto, sei que se você ganhou de Deus durante a vida um lugar de falar e se fazer ouvir, sua fala se torna espada, mesmo que você esteja apenas derramando a sua alma; especialmente quando tal derrame incide sobre pensamentos opostos.

De fato, não importando se você grite do eirado ou fale no interior da casa, se o que você diz pode mudar pensamentos e comportamentos, seu dizer será sempre ameaçador!

Isto porque esses que se rebelam contra aquilo que se esforçaram para encontrar, tendo tido que viajar a fim de alcançarem o que você diz […], nunca pensam que foi deles o movimento que ali os levou, mas antes perguntam: Quantas pessoas estão sendo influenciadas por essa divergência em relação a mim?

Gente assim assemelha-se a um observador de binóculos, que espreita pelas frestas, e que fica com raiva de que o casal da casa em frente esteja fazendo amor no seu próprio quarto. O observador, todavia, não faz aquilo…; ou não com aquela paixão…; então, quem quer que o faça, pelo simples ato de fazer, passa a existir como denuncia ao que ele não faz porque não gosta, não concorda ou não consegue.

Ora, estou usando o site e a Internet como exemplos, embora meu desejo seja falar de um fenômeno mais amplo: o da transferência.

Transferir […] é o que a desonestidade psicológica e de caráter mais fazem sem notar!

A pessoa se chateia com algo [seja o que for], e não tendo argumentos para enfrentar o que não gostou, acusa alguém pela sua tristeza, e, no caso, sempre a pessoa mais visível na vizinhança psicológica; ou a que ela julgue tenha influenciado algo na direção oposta àquilo que ela apreciava ter ou dizer como unanimidade.

Há também os que presenciam mudanças contrárias aos seus desejos, e logo se colocam a buscar quem possa ter sido o pervertedor da mente dos que antes o ouviam e atendiam, mas que agora o observam […]; e são capazes de devotar a você ódio mortal, caso o culpem de tal eventual mudança de mente nos demais.

Há também os que sonharam algo, mas que viram tal sonho acontecer a você; e, assim, de imediato, não podendo espancar os céus ou os agentes humanos a eles ligados e que possam ter contribuído para que aquilo acontecesse na sua vida, entregam-se ao ódio gratuito contra a sua vida sem que você sequer suspeite da razão daquele sentimento tão hostil e radical.

É como o “pastor” que me disse que passou a me odiar quando a “ovelha dele” decidiu viajar a Israel comigo e não no grupo dele! — sendo que eu nem sabia dele, tampouco da ovelha dele.

Outras vezes basta que você lembre a tais pessoas algo ou alguém que elas não gostem, e como você seja um ente público, de modo imediato aquela pessoa elegerá você para ser o sujeito/objeto de todas as suas infelicidades na vida.

Os mais perigosos, no entanto, são aqueles que se sentem ofendidos e desnudados pelo que você diga acerca da alma humana, quando o que você diz os descreve de modo inapelável. Ora, esses, muitas vezes, caso pudessem, fariam qualquer coisa para acabar com você; ou para desmascarem você como sendo pior do que eles; ou ainda para provarem que existe algo em sua vida que deponha contra a verdade que, sem intenção pessoal qualquer, de você procedeu a ponto de descrevê-los.

Todavia, assim como há as transferências perversas, há também as transferências messiânicas; e que são o oposto afetivo das negativas por mim descritas até aqui. Nesse caso, o que você disse foi tão bom e pessoal no esclarecer alguém, alguns ou muitos, que, de modo imediato, você passa ser parte da vida daquela ou daquelas pessoas; passando a ter um papel de natureza oracular; coisa que você nem de longe também estava buscando.

Assim, para uns você se torna um demônio perigoso, um diabo persuasivo, um satanás eficaz; enquanto para outros você se torna uma revelação, um oráculo, um anjo de revelações.

Ora, no caso negativo as expressões perversas da transferência são imediatas e explicitas; porém, no segundo caso, basta que você não perceba a existência do devoto, ou não consiga atender a demanda da admiração de oráculo que você suscitou nele, que, logo, logo, o amor admirado se tornará em cobrança, depois em ressentimento, e, não muito tempo depois […], em descaso raivoso ou em tristeza magoada.

Quando sento para escrever, escrevo para mim, expresso o que está em meu coração, embora a minha esperança seja a de que aquilo se torne útil para muitos, pela Graça de Deus. Porém, em momento algum escrevo esperando que de um lado eu produza ódios ou amores siameses.

Neste caso, cumpre-se o que Paulo disse como experiência própria quando anunciava a Palavra: “Para uns era cheiro de vida; para outros eram odor de morte”; e pergunta: “Quem, porém, é suficiente para essas coisas?

Ora, essa pergunta sobre ser suficiente para viver no meio de mundos tão dispares e passionais, era [também] o que Paulo tinha em mente na indagação.

Afinal, quem pode oferecer-se para ser a convergência de algo que penetra a alma como espada de dois gumes, e faz cortes para todos os lados?

Desse modo, que se saiba:

Pregar a Palavra com sinceridade, sem buscar agradar ou desagradar a homens, mas tão somente desejoso de expressar a verdade do Evangelho a partir do seu próprio coração, é algo que não pode deixar de ser feito; embora ninguém seja suficiente para as implicações relacionais de tal tarefa.

De minha parte, digo tudo na esperança de que cada um se enxergue em Deus, e que, de certa forma, me deixem fora da equação dos ódios, dos amores siameses e das projeções messiânicas. Afinal, quem suporta viver sob tais coisas?

Nele, em Quem digo o que creio; porém indicando a Jesus como Aquele com Quem se deva reclamar ou agradecer,

fonte: site do Caio Fábio

Comentários

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1 Comentário

  1. Frank disse:

    Quando se crê que os cristãos são um organismo vivo, o Corpo de Cristo, família de Deus, membros uns dos outros, enfim, irmãos, aquilo que faz ou fala um destes/as irmãos/ãs diz interessa e afeta diretamente aos demais “familiares”. Alegações como tais implicam na negação dessa interação espiritual que é comum à família de Deus em Cristo. Falacioso argumento circular. Schopenhauer na veia, só isso.

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