Dias em que me dou bom dia no espelho

Tom Fernandes, no Pequenos Dramas

No mais dos dias me dou bom dia no espelho.

Tem dias que gostaria de ser sábio como advogam os sábios à minha volta.

Tem dias que gostaria de ter ouvidos para ouvir quem me adverte a “não ajudar escorpiões a atravessar o lago”.

Tem dias que gostaria de ter ouvidos para ouvir quem me adverte a “não tirar o espinho da pata do leão faminto”.

Tem dias que gostaria de ter ouvidos para ouvir quem me adverte a “não dar a outra face a quem é campeão em esbofetear as faces que lhe voltam atenção”.

Tem dias que gostaria de ter ouvidos para ouvir quem me adverte a “não andar a segunda milha com quem logo vai montar em minhas costas”.

Tem dias que gostaria de não aceitar o abraço de gente movediça, cuja existência caminha para sugar quem chegue perto.

Tem dias que gostaria de não aceitar o beijo de dentes longos de gente que beija para ferir, que afaga para machucar e alisa para marcar o lugar onde cravará seu punhal.

No mais dos dias sigo sendo esta cavalgadura que vos fala.

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