‘Davi’, de Michelangelo, é a mais nova vítima da censura chinesa

As partes íntimas de ‘Davi’ foram censuradas e depois liberadas em reportagem de TV estatal chinesaFoto: TV / CCTV

As partes íntimas de ‘Davi’ foram censuradas e depois liberadas em reportagem de TV estatal chinesa TV / CCTV

Publicado originalmente no O Globo

PEQUIM – Em mais um episódio curioso de censura na China, a emissora estatal CCTV resolveu esconder as partes íntimas de uma das mais famosas obras do renascentismo italiano, o “Davi-Apollo” de Michelangelo. No vídeo de uma reportagem sobre uma exposição no Museu Nacional da China, inaugurada na última sexta-feira em Pequim, editores do canal oficial entenderam que mostrar os detalhes da estátua seria considerado “pornografia”, e esconderam parte da obra com um mosaico.

Após a primeira exibição do programa, uma chuva de piadas de usuários tomou conta da internet. Segundo o jornal “Telegraph”, diversos blogueiros criticaram a decisão da emissora comentando que “sem o mosaico, há arte. Com o mosaico, há pornografia”. Internautas aproveitaram para brincar e censurar imagens de outras obras famosas do renascentismo, como a “Criação de Adão”, também de Michelangelo, que ganhou uma tarja preta em compartilhamentos das redes sociais.

Surpreendentemente, nas exibições do mesmo programa nesta terça-feira e na segunda-feira, a censura à imagem da estátua de Michelangelo foi retirada, gerando boatos de que os editores teriam cedido às pressões das redes sociais, segundo o “China Daily”. A emissora não deu satisfações sobre a mudança.

A exibição renascentista no Museu Nacional da China é uma das mais caras coleções itinerantes que já foi instalada no local e conta com 67 obras de artistas como Sandro Botticelli, Leonardo da Vinci, Raffaello Sanzio, além de Michelangelo. O evento foi organizado para marcar os 100 anos do museu no dia 9 de julho (segunda-feira), mas a comemoração foi esquecida nas redes com o sucesso da censura de “Davi-Apollo”.

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