‘Tecno Baby’: Jornalista e DJ cria balada para crianças de 0 a 10 anos

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Stefanie Gaspar, no E+

Nos fins de semana, crianças dominam shoppings, parques e outros locais de lazer pensados para famílias. Mas e se os pais mudassem de roteiro e levassem seus filhos para a balada? É esse o intuito da Disco Baby, festa criada pela jornalista e DJ Claudia Assef para trazer crianças de 0 a 10 anos para a pista de dança.
“O projeto nasceu há sete anos. Comecei a perceber que havia muita gente bem novinha começando desde cedo a ouvir música eletrônica de baixíssima qualidade. Pensei que um jeito legal de apresentar boa música para esse público seria fazendo uma festa voltada para crianças”, explica ela, que é mãe de Luna, de dois anos e meio, e Maia, de cinco meses.

Ao lado da sócia, a empresária Tathiana Mancini, Claudia então pensou em uma festa na qual pais e filhos pudessem dividir o mesmo espaço e ouvir a mesma música. Para ela, é possível criar um set que conquiste públicos distintos, embora o desafio seja mesmo agradar aos ouvidos mais jovens.

“Crianças são muito mais imediatistas. Não vão ficar esperando um set ser construído, tudo precisa agradar na hora. Pelo que observo, elas tendem a gostar mais de música com bastante melodia, timbres e barulhinhos, com um ritmo bem acentuado. Disco music, hip hop e hits dos anos 80 costumam fazer sucesso”, garante.

Um dos DJs responsáveis pelo desafio de agradar adultos e crianças é o veterano Marky, pai de Gabriel, de sete anos. Escalado para a estreia da festa, no dia 11 de agosto, acha que o segredo de tocar para crianças é caprichar na melodia. “Elas curtem groove. Drum‘n’bass, house, hip hop, basta ter uma melodia que elas piram.”

Embora nunca prepare seus sets com antecedência, o DJ afirmou que seu filho vai ajudá-lo na seleção das músicas. “Ele já me pediu para tocar Kung Fu Fighting, do Carl Douglas (hit da disco music lançado em 1974 e que recentemente foi trilha da animação Kung Fu Panda).

Já para outro dos DJs da Disco Baby, Patife (que se apresenta no dia 15 de setembro), o segredo é diversificar ao máximo e até flertar com o mainstream. Pai de João Miguel, de 9 meses, ele pretende manter a personalidade essencial de seu set de música eletrônica, mas sem purismo. “Vou tirar a camisa do meu time e ver o que dá certo. Vou usar desde bases de astros teen como Justin Bieber até músicas da série infantil Galinha Pintadinha e samples de coisas que escuto quando vejo Discovery Kids com meu filho.”
Esta não é a primeira vez que o DJ toca em um projeto para crianças. Em 2009, Patife se apresentou ao lado de Anderson Noise no Kids Music Festival, mini-festival de música eletrônica para crianças, no Shopping Center Norte.

Para Claudia, uma das vantagens de se tocar para os pequenos é a sinceridade instantânea. “Quando coloco alguma coisa para a minha filha mais velha, a Luna, ela já fala na lata: ‘gosto muito’ ou ‘tira’”. Outro ponto positivo é a possibilidade de misturar estilos e gêneros, tendo apenas como preocupação a escolha de um ritmo que possa divertir. “No caso da Luna, ela ouve de tudo. Quando era menor, ouvia muito o In Rainbows, do Radiohead, que era como se fosse música de ninar. Já essa semana, tocamos no carro o CD da série Fabric do Guy Gerber (DJ e produtor israelense de techno e house) e ela ficou pulando.

Pensando nessa variedade de estilos, a DJ apontou algumas músicas que estarão no setlist da Disco Baby. A seleção vai ter Wanna Be Starting Something, de Michael Jackson; Harder, Better, Faster, Stronger, hit do Daft Punk; You Should Be Dancing, dos Bee Gees; Do Ya Thang, de Oliver $; Sossego, de Tim Maia; This Time, do Lovebirds; The Salmon Dance, do Chemical Brothers; e All My Friends, do LCD Soundsystem.

Embora a festa seja pensada para famílias, os protagonistas de tudo são as crianças. “Não tenho muita ideia do que vou tocar em meu set. Cada DJ fará uma apresentação de duas horas na festa. Mas sei que vai ser um desafio ótimo agradar os pequenos, principalmente porque nunca toquei para um público com menos de 15 anos”, diz Marky.

Segundo Claudia, não existe meio termo. “Um adulto pode apreciar um set com momentos mais abstratos, instropectivos, deep. Já a criança vai te brindar com uma pista vazia com certeza se não gostar da música. É preciso ser muito sagaz e ter muitas cartas na manga.”

Comentários

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1 Comentário

  1. Walter Cruz disse:

    Bacana a iniciativa!

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