Marina Silva compara Olimpíada à emoção de ter sido alfabetizada


Paula Adamo Idoeta, na BBC

Marina Silva carregou a bandeira com os anéis olímpicos no final da cerimônia de abertura, na última sexta-feira, ao lado de outras personalidades: Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, o ex-boxeador Muhammad Ali, o fundista etíope Haile Gebreselassie, o maestro argentino Daniel Barenboim e quatro ativistas de direitos humanos.

“Fui alfabetizada tardiamente, aos 16 anos, e na escola havia uma lista de muitos nomes de pessoas, aprovadas ou não no curso (equivalente ao primário). Quando vi meu nome lá embaixo (entre os aprovados), me ajoelhei e agradeci a Deus. Foi uma felicidade parecida. Foi aquela lista que me aprovou como alfabetizada, apta à educação, que me abriu um portal”, disse Marina, em entrevista em um hotel no centro de Londres.

Ela contou que foi convidada pela organização dos Jogos Olímpicos no domingo, sob sigilo, viajou na quarta-feira a Londres e no dia seguinte fez um ensaio.

A presença dela e dos oito demais “carregadores da bandeira” (flagbearers, em inglês) foi mantida em segredo até poucas horas antes de sua entrada no Parque Olímpico.

Segundo a organização dos Jogos, as nove personalidades representam “nossa aspiração comum de ser o melhor que podemos ser”. Marina foi convidada por seu ativismo ambiental.

Ex-senadora e candidata disse que convite foi feito em sigilo

‘Legado’

A cerimônia foi assistida por bilhões de pessoas em todo o mundo, inclusive no Brasil, ao vivo.
Questionada se poderia usar isso em seu futuro político, Marina disse que não quer usar um espaço “destinado a uma causa como um bem privado”. Disse não saber se será candidata nas próximas eleições.

“Quero que isso seja bom para o meu país, que isso seja um legado. E um legado não pode ser apropriado por uma pessoa”, afirmou.

A ambientalista foi candidata à Presidência pelo PV em 2010, eleição vencida pela presidente Dilma Rousseff – que também estava na cerimônia de sexta-feira. Marina afirmou que as duas não se encontraram no Parque Olímpico.

Marina contou também que, logo após o fim da cerimônia, ligou para seu marido e sua família no Acre.

“Meu pai, quando morávamos na floresta, ele ouvia muito a BBC, porque gostava muito de notícia. Saber que eu estava aqui (em Londres), de onde ele ouvia as notícias, sendo eu uma notícia importante, deve ter sido algo muito forte para ele, aos 85 anos.”

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