A Indústria Cultural: de Mr.Catra a Restart

Gabriel Barbosa Rossi, no Literatortura

Para de ligar. Isso me irrita. Quer me rastrear? Bota um chip na minha…! umas reticências aqui, porque que ninguém é obrigado. A simples existência de uma letra de música como essa [sim, música] possibilita o desabrochar de energias políticas que são capazes de criar alguns duelos completamente relevantes. [tipo rock x funk no facebook].

Porém, é claro que a mídia não se baseia somente nisso. Exemplo, nos últimos 10 anos, um celular se transformou numa ferramenta cotidiana tão útil e ao mesmo tempo tão inútil que chega a ser incrível. Essa tecnologia muda completamente os padrões de vida que conhecíamos [Era digital e tal]. Os desejos mudam junto com as tecnologias, assim como qualquer outro estímulo cultural que venha se manifestar de maneira a impulsionar uma nova forma de lidar com os elementos que a cultura proporciona através da mídia.

NO ENTANTO, também proporciona novas formas de vigilância e controle, tal como o Grande Irmão [sdds Orwell]. Entendam, a mídia proporciona mais técnicas de ocultação de manipulação social do que qualquer outro veículo imaginável. Como? Simples, é só ir sábado pra balada enquanto a galera começa a dançar e isso claramente vai manter as pessoas bem guardadas dentro dos confins de seus centros de entretenimento. Também em suas próprias casas assistindo um filme ou escutando uma música legal. Isso é claro, bem longe dos centros políticos e das ações políticas de massa. [prova disso? UMA PORRADA DE UNIVERSIDADE EM GREVE E TÁ TODO MUNDO FALANDO DA NOVELA]

Mr.Catra

Essa mídia cultural é constituída basicamente por: cinema, rádio, revistas, histórias em quadrinhos, propaganda etc. Só que a industrial cultural só se consolida com o advento da televisão, a partir disso, se dissemina a cultura veiculada pela mídia. Assim, a cultura é transformada em mercadoria, fazendo com que, essa nova categoria de executivos da indústria cultural tentem produzir coisas populares, que vendam, e que claro, percorra o rádio e a TV. Atrair a audiência das massas é o mais desejado, sem que as ofendam, é claro. Agora, o conceito de “MASSAS” não se trata do povão. Se trata de massas MESMO, de muita gente; pobre, rica, branca, negra, o que for. Isso vem da necessidade de vender, não só pra uma classe, pra todas.

A industrial cultural acabou por criar duas categorias quase sem querer. A música do povão, e a música popular brasileira [que de popular não tem nada que não seja o nome]. Dizer que a música sertaneja e o funk são gêneros do “povão”, é completamente estereotipado. A maioria da galera que eu conheço que escuta isso, dirigem carros que custam mais que a minha casa. Elitizar um estilo musical fazendo-o ser Cult, nada mais é que uma construção da mídia pra tentar vender em grupos, determinados tipos de mercadoria. Assim, promovendo o interesse de classes que controlam esses meios de comunicação. E é ai que entram o Mr. Catra e a banda Restart. Não estou fazendo apologia a ninguém, mas, percebam a diferença quilométrica entre esses dois extremos. Enquanto o Catra a dita “putaria”, o Restart traz o seu alegre happy rock.

Pra entender isso é preciso que se contextualize tudo de modo diferente dentro da esfera do discurso que permeia as letras, o modo de se vestir do cantor e as duas forças sociais que disputam espaço entre si. Tudo para que se crie um foco na personalidade do artista, e claro, que ele venda com base nisso. Hoje o que a mídia veicula substitui a família, religião, escola, gostos próprios, valores morais, pensamentos e produz modelos prontos de identidade, moda e comportamento. Vê-se muita gente brigando pelo rock de hoje e o rock de ontem, pela “putaria” que o funk veicula ou pela apologia à bebida e à transformação do corpo da mulher em mercadoria pelo sertanejo universitário.

Restart

Porém, deve-se levar em conta todos os aspectos que permeiam essa cultura na forma de mídia. Quando o Catra canta as putarias dele, ele basicamente explicita um modo de vida que alguém teve um dia, ou ele mesmo tem hoje, e que por ser “maneiro” [pra ele]VENDE. O rock antigo é “careta” pra garotada pré-adolescente. Falar do amor não correspondido com 12 anos de idade é muito mais legal hoje, já que a novela, filmes e o bendito do facebook, mostram, que quando se tem 12 anos, a coisa mais legal do mundo é namorar [depois eles crescem e descobrem que jogar videogame é muito melhor haha].

Tudo é baseado em contexto, tudo tem um propósito, assim como eu já comentei no texto sobre o sertanejo universitário. PORTANTO, Mr. Catra e Restart nada mais são do que culturas midiáticas necessariamente PEDIDAS. Sim, a galera pediu por isso, assim como Luan Santana e outros. Nada surge de supetão [nunca usei essa palavra], tudo tem um contexto longo o suficiente pra criar uma ruptura e mudar conforme os novos conceitos sociais necessitam que essa nova cultura se insira e aja com o objetivo que lhe foi designado, seja vender, ou seja controlar.

É claro que precisa-se, também, levar em conta o lado artístico. As motivações artísticas de cada cantor etc, mas, como esse não é o tema do post, citei-o só  pra não dizerem que não falei das flores. Porque o objetivo é mostrar que todos, de certa maneira, estamos ligados ao mercado. Uns num nicho, outros em outro .Uns numa maior intensidade, outros numa maior. Mas todos estamos.

Pois então, sinto muito amigos, pois por mais que torçamos o nariz [eu também] para Mr.Catra e CIA, esse tipo de conteúdo jamais vai deixar de existir se não conseguirmos fazer com que o nosso “ser social” peça por uma cultura que agrade de um modo geral.

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for A Indústria Cultural: de Mr.Catra a Restart

Deixe o seu comentário