Grife Talita Kume é mencionada em reportagem do Profissão Repórter

No dia 12 de julho o Pavablog reproduziu um post do Blog do Sakamoto: Operação flagra escravos em oficina que trabalha para grife evangélica. Ontem (7), o Profissão Repórter também abordou o tema. E mais uma vez a grife Talita Kume foi destaque na reportagem.

No site do programa:

A repórter Valéria Almeida mostra a condição degradante dos bolivianos que vivem trancados em oficinas de costura em São Paulo. Ela acompanha o trabalho do Ministério do Trabalho e da CPI do trabalho escravo para tentar responsabilizar as grandes marcas por comprar roupas de fornecedores que não oferecem boas condições de trabalho.

A reportagem de Eliane Scardovelli começa no Brás, centro do comércio popular de São Paulo, onde ela encontra uma calça vendida a R$ 20 e investiga o processo de produção da roupa. O corte acontece numa cidade da grande São Paulo, a costura em Carlopólis, cidade pequena do Paraná, e somando todos os gastos, o lucro é de um R$ 1 por peça. (assista ao vídeo aqui)

O programa ainda estava no ar quando os internautas começaram a se manifestar no Twitter:

  • Que idílico, a confecção se chama TALITA KUME (“Levanta, menininha”), deve ser pros escravos acordarem cedo pro escravagismo.
  • Talita no Kume dos outros é refresco
  • Minha mãe é cliente dessa loja “Talita Kume” não vai mais comprar lá
  • não tenho e não quero ter e tenho raiva de quem comprar a partir de agora roupas da @Talita_Kume
  • Que vergonha @talita_kume lucrando em cima do sofrimento alheio, do trabalho escravo!!! Não adianta negar com comunicado à imprensa!!!
  • Talita Kume. Lembre dessa marca na hora de comprar sua roupinha. Ela, como a Zara no Brasil, terceiriza mão de obra escrava e ilegal.
  • Agora vem cá @Talita_Kume ficou muito MAIS feio jogar a culpa na oficina. Ao menos deveria aprender com a Zara.

A associação que faltava veio na sequência:

  • A Loja Talita Kume não é de um pessoal Gospel? Deu rolo, passou agora no Profissão Reporter.

E o tiro mais certeiro veio do blogueiro Alex Fajardo:

  • Perguntar não ofende. Grife Talita Kume, mantêm o Ministério de adoração LIVRES por meio do trabalho ESCRAVO?

A empresa pertence à família de Juliano Son, fundador do ministério Livres,  nome tristemente irônico neste momento de crise aguda. O Livres nasceu em 2006 para apoiar um projeto que resgata crianças prostituídas no Nepal. O ministério já gravou 4 CDs, além de 1 DVD musical e 2 DVDs de mensagens.

Quase um mês após a primeira reportagem, a empresa mostrou despreparo para lidar com a crise. Em vez de transparência, preferiu a omissão. O texto do site que informava a origem cristã do nome (e dos proprietários) foi retirado do site, bem como a área que falava sobre a responsabilidade social da empresa. O perfil no Twitter também foi fechado para os não-seguidores.

O comunicado da Talita Kume exibido pelo programa diz que “a empresa repudia e proíbe veementemente qualquer forma de trabalho ilegal em sua produção” e afirma que “os proprietários se sentem abalados com o ocorrido”.

Não se sabe se o abalo se estendeu aos cofres da empresa, mesmo após 42 autos de infração lavrados. No entanto, a imagem da empresa sofreu danos sérios e precisará de muito esforço para honrar o nome e se levantar novamente.

Comentários

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2 Comentários

  1. Keila disse:

    Vixxxxx… Eu moro na Europa e não fiquei sabendo de mais essa. É que é tanta novidade e notícia ruim a esse respeito “gospel” que eu não dou conta de tudo. Que feio, hein?!?

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