O sucesso que desconfigura

Rosana Hermann, no blog Querido Leitor

Fui ver a origem da palavra vaidade. E, claro, estava na cara. Vaidade, vão. É buraco, é vazio. Vaidade é o supérfluo, o nada. Explicar vaidade, porém, é um trabalho em vão. icon smile O sucesso que desconfigura Todo mundo sabe o que é vaidade porque todo mundo sente, em maior ou menor escala, fisica ou mentalmente, todo mundo é vaidoso. A única diferença é que tem vaidoso que assume e vaidoso enrustido, que finge que é humildão mas fica super incomodado com a vaidade alheia, porque queria ter a vaidade corajosa do outro. Vai vendo.

A vaidade, essa que você tem, eu tenho, o cara que diz que-diz-que-não-tem tem, todo mundo tem, por sua própria origem (vão) é também uma brecha de entrada de problemas. A vaidade abre caminho até para a pessoa ser enganada, porque ela funciona como uma fraqueza.

Nada mais fácil do que enganar um vaidoso. Com meia dúzia de elogios a pessoa já está fisgada. Até com menos. Elogio,  aplauso, tudo mexe com a vaidade da pessoa, principalmente o sucesso. O sucesso é o reconhecimento público, infla ainda mais a vaidade de qualquer um. Tem que ser uma pessoa muito preparada para não se perder nesse jogo da vaidade.

Em geral, o que acontece é que qualquer sucesso, de um prêmio ou medalha internacional a um grande número de visitas no vídeo no YouTube, mexe com a vaidade da pessoa e desconfigura tudo, principalmente quando você tem uma medida numérica desse sucesso.

Exemplo: a pessoa grava um vídeo de boa, sem esperar nada. De repente, faz sucesso e milhares de pessoas assistem e comentam. Quando ela vê tudo isso, ela se altera com essa informação e quando for gravar o segundo vídeo, ela já não é mais a mesma pessoa do primeiro.

Acontece com quase todo mundo, em todas as circunstâncias. O ator que tem sucesso no teatro, o diretor cujo filme é sucesso de bilheteria, o palestrante com auditório lotado, o professor com a turma mais cheia, o escritor que vende milhões de livros. Quando você sabe, tem consciência, de que muita gente está assistindo você, lendo você, ouvindo você você age diferente de quando não tem ideia da plateia.

Somos todos assim, influenciáveis e reconfiguráveis.  Tem gente que se encontra no sucesso, tem gente que se perde.

E tem alguns que reconhecem a própria fragilidade da vaidade.

Outro dia ouvi o Datena dizer no rádio que se ele ganhasse uma medalha de ouro na olimpíada ele ía ficar tão metido que ninguém o suportaria. E encerrou dizendo que é por isso que “D`us não dá asas a cobras”.

Só discordo da última parte.
O que mais a gente vê é cobra voadora.
Se bem que tem dias que as cobras somos nós.

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