Dudu Braga: “Meu pai era carinhoso, mas me disse tantos ‘nãos’ quantos ‘sins’

* Luís Colombini é jornalista. Publicou 54 depoimentos no livro Aprendi com meu pai. Com o filho Tales escreveu o livro infantil Abacaecó – Ninguém me entende (Foto: Fotos: arq. pessoal e divulgação)

Luís Colombini é jornalista. Publicou 54 depoimentos no livro Aprendi com meu pai. Com o filho Tales escreveu o livro infantil Abacaecó – Ninguém me entende (Fotos: arq. pessoal e divulgação)

Luís Colombini, na Revista Época

Todo pai ensina e todo filho aprende. Embora raramente um pai consiga apontar qual foi o momento em que mais influenciou o filho. Muita gente acha que sermões, proibições e castigos são eficazes na formação de caráter ou personalidade, quando podem diminuir e magoar. O que fica de bom para sempre, aquilo que faz uma criança querer se mostrar valorosa aos olhos do pai e do mundo são exemplos, gestos, atitudes, atenções, frases na hora certa. Muitas vezes, são detalhes que provocam uma situação, como a bolinha de papel encontrada numa festa pelo hoje médico Ben-Hur Ferraz Neto ou um comentário despretensioso que o pai da atriz Carolina Ferraz fez no telhado, num começo de noite em Goiânia. Na edição de ÉPOCA que chega às bancas e ao seu tablet (baixe o aplicativo) neste fim de semana, leia algumas lições de vida que vieram de nenhuma fórmula pretensiosa, e sim da simplicidade, como este relato de Dudu Braga:

Roberto Carlos e Dudu Braga (Foto: Marcello Palhais e arq. pessoal)

Dudu Braga – no destaque, ele criança com o pai, Roberto Carlos (Fotos: Marcello Palhais/Ed. Globo e arq. pessoal)

Dudu Braga
Publicitário 44 anos
Filho do cantor Roberto Carlos

Nasci com uma doença congênita nos olhos: glaucoma. Com 15 dias de vida, meu pai voou comigo para Amsterdã, na Holanda, para eu ser tratado. Era o único lugar que fazia o tipo de cirurgia de que eu precisava. Passei por sete operações. Enxerguei até os 22 anos, quando tive um descolamento da retina e perdi a visão.

Normalmente, quando um filho tem um problema de saúde, é comum os pais superprotegerem. Meu pai nunca deixou de me educar. Ele era carinhoso, cuidadoso, mas me disse tantos “nãos” quantos “sins”. Hoje sou pai e sei como é difícil dizer “não” para os filhos.

Como todo artista, meu pai não é dono do próprio tempo. Em minha infância, minha mãe organizava nossa agenda de acordo com a de meu pai para que ficássemos juntos nas temporadas de show.

Quando tive o descolamento da retina, ele grudou em mim por dois anos. Nem sei como conseguiu. Ele não é só um exemplo como pai, mas também como pessoa. É simples com todos que conhece e extremamente coerente com as coisas em que acredita. A forma como toca a vida dele é um exemplo para mim.

(Em depoimento a Flávia Yuri)

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