Mensalão: defesa dos réus cita Hitler, Bíblia e ‘Avenida Brasil’

 Túnel do tempo. Pacheco durante julgamento do mensalão: ao defender José Genoino, o advogado fez referências a bruxas, Idade Média e Hitler Foto: O Globo / Givaldo Barbosa
Túnel do tempo. Pacheco durante julgamento do mensalão: ao defender José Genoino, o advogado fez referências a bruxas, Idade Média e Hitler

André de Souza e Evandro Éboli, em O Globo

Nazismo, inquisição, novela “Avenida Brasil”, desempenho do Flamengo, histórias bíblicas, Grécia antiga, Código de Hamurábi e Teoria da Relatividade. É extensa a lista de argumentos incomuns que os advogados dos réus do mensalão usam para sensibilizar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e atacar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Um dos temas mais recorrentes é a comparação entre a acusação e o direito penal nazista. O governo do ditador Adolf Hitler (1933-1945) foi lembrado por três advogados semana passada. O primeiro foi Luiz Fernando Pacheco, advogado do ex-presidente do PT José Genoino. Segundo Pacheco, a PGR ressuscitou a responsabilidade objetiva, ou seja, a condenação de alguém sem necessidade de mostrar o que fez de errado:

— Responsabilidade objetiva nos remete à Idade Média. Queima porque é bruxa. É o direito penal do terror. É o direito penal do inimigo. É o direito penal nazista. É judeu, então mata. E mata porque é judeu. É petista? É presidente do PT? Tem que ir para cadeia.

Depois, foi Leonardo Yarochewsky, advogado de Simone Vasconcelos, ex-diretora de uma agência de Marcos Valério, que recorreu ao nazismo:

— Mesmo no tribunal de Nuremberg, que era um tribunal de exceção, alguns acusados foram absolvidos.

Na quarta-feira passada, Alberto Toron, que defende o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), falou novamente do regime de Hitler.

— Escravizar a Justiça à opinião pública é modelo nazista de justiça.

Outro tema recorrente é a teledramaturgia. Paulo Sérgio Abreu e Silva, defensor de dois réus ligados às empresas de Valério, disse que a peça de Gurgel parece roteiro de novela. Já Yarochewsky comparou a situação à novela “Avenida Brasil”, em que uma personagem deseja se vingar de outra.

— Até na novela das oito, a Carminha disse que ia processar a Rita por formação de quadrilha — disse o advogado, que lembrou de resultados do Flamengo no Brasileirão:

— Minha secretária não questiona se dou dinheiro para comprar bombom, jogar no lixo ou comprar flores. Ou comprar ingresso para ver o jogo do Flamengo, que vai muito mal e não está valendo a pena.

Arnaldo Malheiros, advogado do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, recorreu a uma história bíblica. Ele comparou Delúbio, o STF e a opinião pública com, respectivamente, Cristo, o governador da Judeia Pôncio Pilatos e a multidão que preferiu a liberdade do criminoso Barrabás.

— Como é nocivo o juiz que vai até à sacada para perguntar ao povo o que ele quer. Porque se solta Barrabás, se condena Jesus e depois se lava as mãos, mas a consciência o persegue.

No campo da História, Yarochewsky citou o Código de Hamurábi, de quase 4 mil anos. O texto, que vigorou na antiga Mesopotâmia, pregava a lei do “olho por olho, dente por dente”.

Márcio Thomaz Bastos, advogado do ex-executivo do Banco Rural José Roberto Salgado, apelou para a física ao apontar contradições na acusação da PGR:

— A Teoria da Relatividade foi afrontada.

foto: O Globo / Givaldo Barbosa

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