Talita Kume: Outro lado

Após a publicação dos posts Grife Talita Kume é mencionada em reportagem do Profissão Repórter e Operação flagra escravos em oficina que trabalha para grife evangélica, recebi mensagem da Brickmann&Associados Comunicação,  empresa contratada pela Talita Kume após a crise. Decidi publicar o documento na íntegra. No final, alguns comentários meus em verde. (SP)

Caro Sérgio Pavarini:

Lemos com a atenção de sempre seu blog sobre o programa Profissão Repórter. Algumas informações, que não surgiram no programa, merecem ser citadas: por exemplo, quando se tratava de marca chique, o nome não foi citado. Uma senhora foi apresentada como “Diretora de Marketing”. De que empresa? Das grandes que sofreram as mesmas acusações feitas à Talita Kume (ou ainda piores)  , mas que têm poder de mídia? Outras informações apareceram, mas bem de passagem, como se fossem encobertas: a de que os fatos ocorreram numa outra firma, que trabalhava para a Talita Kume, sim, mas que tem outros proprietários, outra administração e era, isso sim, fornecedora para nossa marca. De agora em diante, conforme Termo de Ajustamento de Conduta que estamos assinando com o Ministério Público do Trabalho, faremos mais ainda: fiscalizaremos cada fornecedor independente de acordo com as normas do próprio MPT, recusando os serviços de quem não as cumpra. Também faremos visitas e fiscalizações-surpresa às oficinas fornecedoras, para que jamais problemas dessa sorte voltem a nos envolver. É o mesmo compromisso assumido pelas marcas chiques que o programa preferiu manter fora do ar.

Quanto ao pastor Juliano Son, todos sabem que jamais teve qualquer participação na gestão da empresa. O pastor Juliano se dedica exclusivamente a seu trabalho cristão, e lamentamos que problemas ocorridos em outras áreas, que nada têm a ver com sua vocação e dedicação, tenham sido utilizados apenas para escarnecer de setores evangélicos. Se quiserem criticar o pastor Juliano, investiguem seu trabalho de evangelização e caridade. Se quiserem criticar a Talita Kume, façam-no, sem agredir aqueles que amam Jesus.

Finalizando, caro Pavarini, gostaríamos de ver estas considerações em seu apreciado blog. Rogamos sua atenção. Será contraponto necessário à unilateralidade da transcrição de trechos do Profissão Repórter – que, a propósito, reduziu a alguns segundos a exposição da nota da Talita Kume que, divulgada na íntegra, desmontaria a argumentação de quem procura desqualificar os profissionais que baratearam as boas roupas para uso de nossa população.

Caso queira e possa utilizá-la,  nota que o Profissão Repórter tão concisamente resumiu é a seguinte:

Esclarecimento

A Talita Kume, empresa familiar de tradição no mercado de confecções e junto à comunidade, repudia e proíbe veementemente qualquer forma de trabalho ilegal em sua produção. Seus proprietários se sentem muito abalados com o ocorrido – que ignoravam até aquele momento –  em uma oficina de costura terceirizada a seu serviço. Vêm a público lamentar o fato que, mesmo não sendo de sua alçada direta e sobre o qual não tinham informações anteriores, é inaceitável e vergonhoso. Episódios protagonizados por terceiros acabaram por penalizar duramente a empresa, embora esta os desconhecesse.

Imediatamente tomamos todas as providências para que jamais voltem a ocorrer problemas deste tipo em qualquer fornecedor de nossa empresa. Entre os principais está a contratação, já a partir do mês passado, exclusivamente de oficinas registradas, que apresentem provas de idoneidade, contratem regularmente os seus funcionários, mantendo salários e impostos em dia, e aceitem nossa permanente fiscalização. A Talita Kume também criou um departamento interno para fiscalização rigorosa, que visitará regularmente, para verificação, e sem aviso prévio, todos os fornecedores que estejam produzindo para a marca, buscando assim repetir a mesma forma exemplar da fiscalização exercida pelo Ministério Publico do Trabalho, MPT.

Foram atendidas todas as solicitações do MPT e da procuradora responsável pelo caso, Dra. Adélia Augusto Domingues, aos quais informamos as iniciativas aqui expostas, o que qualificou nossa empresa a assinar o Termo de Ajustamento de Conduta, TAC, da forma proposta pelas autoridades e que será rigorosa e minuciosamente cumprida.

Respeitosamente,

Talita Kume Ltda.

como o jack, vamos por partes:

1- carlos brickmann assina uma das minhas colunas favoritas no “observatório da imprensa” e é 1 cara bem experiente em gerenciar crises. ele já assessorou maluf durante 1 bom tempo e foi responsável pela comunicação do casal hernandes quando a renascer esteve no olho do furacão. depois dos tropeções iniciais, a talita kume tá de parabéns pela escolha.

2- ninguém pediu minha opinião (rs), mas achei 1/2 esquisita a estratégia de colocar a empresa como “pobre e indefesa” diante das marcas “chiques e com poder de mídia”. o final do texto menciona “profissionais que baratearam as boas roupas para uso de nossa população”. essa imagem de “quase caridade” ñ combina nadinha com o tipo de episódio em que a empresa se envolveu.

3-segundo a mensagem eletrônica, “todos sabem que juliano son jamais teve qualquer participação na gestão da empresa”. é verdade, porém muitos desse “todos” afirmam que a talita kume muitas vezes investiu recursos em eventos dele. qual o problema se isso for verdade?

4- no mesmo parágrafo, o texto fala que o episódio foi “utilizado apenas para escarnecer de setores evangélicos” e que as críticas ñ podem atingir “aqueles que amam Jesus”. ora, ora… dispensável essa combinação de delírio persecutório + mimimi gospel tão apreciado em algumas hostes evangélicas. a crítica ao rebanho tem lugar perene neste blog justamente pq foi criado por alguém que faz parte dele.

5- absorver esse tipo de discurso é bem perigoso. a falta de intimidade com o dialeto gospel pode render episódios antológicos como, por exemplo, quando brickmann afirmou que kaká ofereceu o troféu a Deus como “premissa”.#fikdik

por fim, demorei 1 pouco p/ publicar o comunicado pq tanto jornalistas como cristãos trabalham c/ uma primícia premissa que jamais necessitou de recursos p/ ser defendida: a verdade.

abraços e sucesso a todos.

Comentários

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1 Comentário

  1. Eliaquim Lima disse:

    Torço para que a intenção de ter uma postura correta indique uma real mudança de pensamento em relação aos aspectos legais do ramo de negócio. Não basta fazer por ser obrigado, mas fazer por que isso é o certo!

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