Aniversários de filhos de famosos ganham proporção e preço de casamento

A aniversariante Rafaela Justus, entre seus pais, Roberto e Ticiane, em frente à parede de 7.000 balões. foto: Simon Plestenjak/Folhapress

Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo

Rafaella Justus fez Piu-Piu e sua turma, personagens do “Looney Tunes”, superar Mickey e companhia no mundo encantado das festas infantis. “Sempre fiz mais os clássicos da Disney. Desde que a Rafa escolheu esse tema, que nunca tinha feito antes, fechei outras três festas”, relata Andrea Guimarães, organizadora do mega-aniversário de três anos da caçula do publicitário Roberto Justus, no último dia 5.
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Na bolsa de temas e atrações do milionário negócio de festas infantis, as comemorações das celebridades mirins ditam modismo. O circo montado para o “Parabéns” pelos dois aninhos de Vittorio, herdeiro de Adriane Galisteu e Alexandre Iódice, também bombou. “Tive cinco outras encomendas. A divulgação e o retorno de uma festa com celebridades são muito grandes”, diz Andrea à repórter Eliane Trindade.
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Agosto foi pródigo em festas grandiosas para os pequenos: houve ainda o safári na casa da apresentadora Eliana para o primeiro aniversário do filho Arthur, dia 11, e o exército de soldadinhos de chumbo na decoração de um ano dos trigêmeos da apresentadora Isabella Fiorentino (dia 4).
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“Festa infantil ganhou outra proporção. É tanta riqueza de detalhes que parece festa de casamento”, compara Juliana Françozo, 32, da Happy Happenings, contratada por Eliana e Isabella. Festejos que movem a engrenagem de um mercado em ebulição. “As mães não famosas não querem ficar atrás e fazem eventos como os que aparecem nas revistas ou até mais grandiosos”, constata William Fawaki, da Pulma Balões. Ele cita o caso de uma celebração na qual usou 50 mil balões. O custo: R$ 50 mil.
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Esqueçam o bolinho e o parabéns em família. Juliana, que se orgulha de não repetir festa, está acostumada a uma clientela que faz chá de bebê e até recepção na maternidade se tornarem grandes eventos. “Ansiedade de mãe é a mesma, famosa ou não. Elas não medem esforços para fazer uma festa incrível”, diz.
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Na busca de novidades para impressionar, vale pagar R$ 19 a unidade por um pão de ló no formato de bolsa Chanel. “Uma megafesta pode custar R$ 50 mil ou R$ 1 milhão. Vai depender das atrações”, diz a dona da Happy Happenings. Ela está organizando uma festa infantil em um resort, com hospedagem e passagem dos cem convidados pagas pelos pais.
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Uma garota paulistana festejou seus oito anos em um “Day Spa” (R$ 80 mil para 50 convidadas). Reuniu as amigas para uma tarde com cabeleireiro, manicure, massagem, roupão e chinelos personalizados. “Foi surreal, as meninas ficaram doidas. O atendimento era com horário marcado e anunciávamos os nomes pelo microfone”, relata Juliana. Uma revista de celebridades “fake” [falsa] sobre ídolos teens foi distribuída para a turminha ler.

Os três bolos da festa que Isabella Fiorentino ofereceu ao pessoal do hospital que a ajudou no parto de seus trigêmeos

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“O céu é o limite”, diz Andrea Guimarães. “Todo mundo tem um ‘budget´ [orçamento], entendeu? Eu sigo o ‘budget’. Quero ser uma empresa que atenda desde um Fusca até uma Mercedes-Benz.” Ela calcula em R$ 20 mil uma festa na própria residência, para poucos, com uma barraquinha, decoração, recreação, convite e lembrancinha. “Um fusquinha.”
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Os zeros aumentam conforme o gosto e o bolso do cliente. Sem revelar nomes para não melindrar a clientela fiel, falam de batizados de R$ 200 mil e aniversários de um ano de R$ 400 mil.
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“As pessoas têm uma ideia de que é muito mais caro do que é. Acham que por ser mais bonito é caro”, diz Andrea. Ela cita o caso de Justus. “Roberto não é perdulário. Ele gasta no que precisa. Não tem exibicionismo. É tudo muito família.”
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O “domingo no parque” de Rafa Justus –o Hopi Hari foi fechado para 600 convidados– terminou em grande estilo. Uma queima de fogos de artifício e a música tema da Turma do Pernalonga foram a deixa para o “grand finale”: “Por enquanto é só, pessoal”, disse o locutor.
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A frase é a mesma que encerra os episódio dos desenhos “Looney Tunes”. Soa como ironia diante da superprodução. Todas as atrações do parque –com exceção da roda-gigante e do elevador, interditado após a morte de uma adolescente no ano passado– estavam à disposição dos amiguinhos de Rafa. A escura taberna do “saloon” ganhou o coloridos de 7.000 balões e de 8.000 docinhos.
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Justus não informa quanto gastou. Chegou a ser divulgado que o valor era R$ 500 mil. Sua assessoria nega. O parque é cliente de sua agência de publicidade.
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Se alguém quiser comemorar o aniversário em um dia de funcionamento normal do Hopi Hari, pode escolher entre pacotes de R$ 89 a R$ 124,90 por pessoa. Este último dá direito, além do ingresso, a lanche, bolo, docinhos, lembrancinha. Se Justus tivesse optado por esse kit, gastaria R$ 74.600 para os 600 convidados. A produção da festa de Rafa, segundo especialistas, não saiu por menos de R$ 100 mil.
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As lembrancinhas, bichinhos de pelúcia com os personagens da Turma do Pernalonga, custam em torno de R$ 50 na loja do Hopi Hari –multiplicado por 600, dá um total de R$ 30 mil.
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“A festinha da Rafa foi nota mil, a realização de um sonho”, afirmou Ticiane Pinheiro, ao final do “Parabéns” da filhota, precedido por um teatrinho, com atores fantasiados de Piu-Piu, frajola e companhia, e de uma parada, na qual os personagens seguiam a família alojada em um Ford antigo. Cada atração, um flash.
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Um dos convidados de Rafaella, Gabriel, filho da apresentadora Astrid Fontenelle, também festejou quatro anos sob a batuta de Andrea Guimarães. “Foi uma festa bacanuda, dentro do meu orçamento.” Sobre a grandiosidade do parque de diversões exclusivo de Rafa, ela disse: “Se for apelar para a consciência, chega a ser exagerado, mas cada um no seu quadrado. Se eles podem proporcionar isso à filha e nos proporcionar uma festa sensacional, tudo certo.”
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Estabelecer um teto de gastos foi a saída para Isabella Fiorentino. “Decidi fazer uma festona para celebrar a vitória dos três, que passaram 90 dias na UTI”, conta. Ela abandonou a ideia de um bolinho em casa para celebrar ao lado de outras mães e da equipe do Albert Einstein que cuidou dos meninos.
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Ela conta ter negociado tudo. “Algumas mães perdem a mão. Gastam quanto bem entendem, mas é melhor gastar horrores numa festa para o filho do que numa bolsa”, diz. “Não precisa ser a flor mais cara, o bufê mais sofisticado. O amor não é medido pelo que se gasta.”
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Iara Jereissati concorda. “Criança gosta de criança, não importa se a festa é no quintal de casa, no Hopi Hari ou em bufê. Vale a pena celebrar”, diz a mulher de Carlos Jereissati, do grupo La Fonte. A família fez a festa de um ano de Maria Clara, com cenografia de Andrea Guimarães. Agora, Iara já está nos preparativos da festa de dois anos da menina.
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É preciso planejar com antecedência para conseguir data no Buffet Spasso Splash, em Moema, um dos mais concorridos de SP. “Para festejar no final de semana tem que agendar com um ano de antecedência”, explica Karina Brady, gerente do local escolhido por Iara e Galisteu.
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O coquetel básico do Splash custa R$ 13.200 para 50 convidados. Um festejo para 300 pessoas como o dos Jereissati sairia por R$ 79.200 hoje. Em média, as festas no espaço de 1.400 m² –que tem simulador de Ferrari para adultos e crianças– é para 200 pessoas, incluindo babás. “Elas entram na conta dos pagantes”, diz Karina.
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Há quem chore um desconto na hora de pagar pelas funcionárias na lista final de convidados. “Argumento com essas mães que elas têm que pagar pelo menos metade por uma babá. Elas consomem como adulto”, relata a dona da Happy Happenings. “Afinal, é quem cuida do seu filho.” Palavra mágica para abrir carteiras.

A festa das irmãs Faro teve a personagem Alice como tema

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