Candidatos a vereador usam sexo para se promover

Publicado originalmente em Terra [via Alagoas 24 horas]

Se sexo vende mais que qualquer outra coisa, a política não poderia ficar de fora e deixar de usar esse infalível recurso como estratégia de marketing para as eleições deste ano. Alguns candidatos a vereador exploram suas ocupações no meio artístico ou na indústria do sexo para chamar a atenção para si entre centenas de correntes, usando slogans e fotos ousadas – que às vezes acabam dando certo.

Marina Silva Queiroz, ou a “Mulher Perereca” (PRTB), explora a fama do rebolado para concorrer à Câmara Municipal de Salvador. A mascarada ficou famosa em 2009, como dançarina da música “Perereca”, que fez sucesso na capital baiana no carnaval de 2009. Em 2011, foi coroada a “musa dos taxistas” da cidade, e agora é cantora de funk.

“Vou fazer uma drenagem linfática no governo, acabar com a corrupção com uma super dieta, usar muito suplemento e malhação para ter energia para trabalhar e erguer essa cidade” – essas são suas metafóricas propostas, simbolizadas pelo número 28069

Também no centro do axé, Sara Verônica disputa uma cadeira pelo PSL com um panfleto que exibe todos os seus atributos de ex-dançarina de “Na Boquinha da Garrafa”, hit emplacado pelo grupo Cia. do Pagode no início dos anos 1990. Ela também concorreu a vereadora em 2008, sem sucesso.

Já Anivaldo Luiz da Silva, o Lobão (PSB), pretende conciliar a vida de músico e produtor de filmes pornô com as atividades parlamentares em Maceió. O candidato é vocalista da banda Cheiro de Calcinha e vende na rua DVDs com títulos como “Penetrando no Centro de Maceió”. Ele diz que é cinegrafista das produções e que atua apenas “não sexualmente”.

Haréns da política

Porto Alegre, por sua vez, tem duas famosas casas de entretenimento adulto que tornam seus donos populares aos olhos do eleitorado – ou quase isso. A Tia Carmen, dona do Carmen’s Club, emprestou seu apelido involuntariamente a Carmen Steinert (PTB). Assessora do PTB há 20 anos, Carmen nega a tentativa de ligação com a boate, mas usa o slogan “Prazer em cuidar de você”, com um santinho igualmente sugestivo. Sua assessora diz que há uma reformulação de campanha em processo.

Mas o mais famoso político do ramo na capital gaúcha é o ex-padre Roque Rauber (PDT), 71, mais conhecido por ser dono da casa de swing Sofazão. Rauber está na política desde 1983 – 13 anos após abandonar a Igreja. “Senti não estar preparado para a árdua tarefa de exercer meu apostolado neste mundo extremamente tentador. Ao invés de não ser um padre modelo, preferi ser um ótimo cristão”, disse ao Terra por e-mail, argumentando que a Igreja daquela época era muito mais rígida que a de hoje.

Rauber já tentou concorrer a deputado estadual pelo PT em 1992, mas teve sua candidatura barrada pelo partido depois do que chama de um “alvoroço na imprensa” por causa de sua ocupação. Em 2008, foi candidato a vereador pelo PDT, mas teve as contas desaprovadas. Agora, com o slogan “Todos somos filhos de Deus”, ele pretende lutar contra a discriminação.

“Parece que vivemos ainda na sociedade de castas, onde uns se vangloriam de ser mais puros e melhor que os outros. A sociedade de ricos e pobres; gordos e magros; bonitos e feios; inteiros e aleijados; saudáveis e doentes; heterossexuais e homossexuais, casamentos convencionais e swingers…”, afirmou. “Quem não discrimina que levante o dedo. Sei que pouco poderei fazer sozinho. Mas alguém precisa levantar esta bandeira para começar a conscientizar nossa sociedade”.

 Slogans insinuantes

Sem muita fama, outros postulantes a vereador criam slogans de apelo sexual para se destacar. Candidato pelo PPS em Teresina, o comediante Zé Pinguelo é alvo do Ministério Público Estadual do Piauí, que quer barrar slogans que contenham conteúdo pejorativo. Embora participe da coligação “Frente Socialista Cristã”, João Pereira de Matos Neto usa o mote “Deixa o Pinguelo entrar”, considerado ofensivo aos bons costumes pelo MPE.

Já Agrimar Francisco da Silva (PDT), candidato na também piauiense cidade de Fronteiras (406 km de Teresina), responde pelo apelido de “Chupila Bebel” desde que começou a publicar fotos “sensuais” na internet. Homossexual assumido, ele concorre com o número 12124 e lançou o slogan “É dando que se recebe”, outro atacado pelo MPE.

Enquanto isso, no Estado vizinho do Ceará, é a veterana Deborah Soft quem causa polêmica com seu slogan. Edvania Matias Goes é uma das representantes do Partido Social Cristão (PSC) na disputa em Fortaleza, mas não tem pudor de seguir com o mesmo lema que usava em 2004, quando foi eleita vereadora pelo PTN: o “Vote com prazer” rendeu mais de 11 mil votos para a ex-stripper, que agora promete priorizar os votos de “pessoas da noite”, de garçons e do público LGBT.

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