Em tempos de smartphone, proliferam regras de etiqueta

Coletivo Transcultura indica um verdadeiro guia para quem tem fobia de ficar ‘off-line’

Compulsão no uso de celular: qual é o limite? (Juliana Rocha / Divulgação)

Carol Luck, no O Globo

Atualmente é uma baita tarefa complicada sair com amigos. Quantas vezes em um bar é preciso disputar atenção com smartphones que ficam em cima da mesa, vibrando, e são checados a cada notificação, curtida ou reply? Tem gente que não se desconecta nem no cinema. E quando o sinal não funciona ou a bateria acaba? Desespero completo! Como se a qualquer momento fosse chegar uma notícia que pudesse mudar a vida da pessoa. Pois essa paranoia tem nome: FOMO — Fear Of Missing Out (ou Medo de Perder Alguma Coisa).

O.k., a tecnologia virou uma extensão do corpo. Mas estamos cada vez mais conectados com o mundo e desconectados de nós mesmos e do nosso redor. O mais louco é que as pessoas parecem mais preocupadas em não perder um post no Facebook do que o momento que acontece diante delas.

Pensando nisso, já há várias regrinhas de etiqueta, jogos e até rehab para ajudar a controlar o vício. Confira:

Social rehab

A campanha criada pelos australianos Rhys Hillman, Sarah Chan e Scartlett Montanaro é para quem presta mais atenção ao smartphone do que à vida real. Segundo eles, uma pessoa olha em média 150 vezes por dia para o smartphone; 65% dos adolescentes usam o telefone enquanto socializam; 10% dos menores de 25 anos enviam SMS durante o sexo; 24% das pessoas perdem momentos importantes enquanto tentam tirar uma foto e compartilhá-la on-line. No site www.social rehab.sg há regras básicas de como agir com o telefone à mesa no século XXI:

1) Smartphones devem ficar no bolso ou na bolsa (e não em cima da mesa).

2) Nada de fazer spam nas redes sociais sobre onde e com quem você está.

3) Sempre colocar o smartphone no modo silencioso.

4) Não atender telefonemas à mesa.

5) Manter contato visual com sua companhia e não com o seu telefone.

Se a situação for mais complexa ou você simplesmente quiser zoar o amigo viciado, o site disponibiliza um kit com adesivos de “curtir” pra você grudar nas pessoas e nas coisas, blocos de desenho Draw Something e folhas de anotação imitando o layout do Twitter.

Phone stacking

Provavelmente você já ouviu falar do famoso joguinho de empilhamento de telefones. As regras são simples:

1) Antes de mais nada, todo mundo faz seu pedido.

2) Todos colocam os telefones numa pilha, virados de cabeça para baixo.

3) O primeiro que pegar o telefone paga a conta.

My phone is off for you

Desligar o telefone para dar atenção a alguém virou algo tão especial e emblemático que uma agência de design de Nova York criou o projeto My Phone is Off for You (Meu Telefone está Desligado por Você). A campanha tem guardanapos personalizados, bottons e carimbos, à venda no site Uncommon Goods (www.uncommongoods.com). Assim você pode mostrar que prefere curtir sua companhia em vez de checar o que acontece na web. Uma verdadeira declaração de amor dos tempos atuais!

Se nada mais der certo: restart internet addiction recovery program

Fundado em 2009 em Washington pela psicoterapeuta Hilarie Cash e pela terapeuta Cosette Rae, o Restart Internet Addiction Recovery Program é uma espécie de AA para ajudar quem não consegue largar a vida on-line. Lá toda a parafernália tecnológica é proibida, e você pode curtir a vida no campo e fazer atividades em grupo.

“Não somos contra tecnologia. Só queremos ajudar pessoas dependentes a suportar a vida off-line e ajudar seus cérebros a voltar a se conectar com o mundo real de forma positiva”, diz o site www.netaddictionrecovery.com.

O programa inclui uma internação de 45 dias e custa cerca de US$ 14.500.

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