Concurso no Facebook promete fama ao primeiro que morrer

©AFP/Arquivo / Rodrigo Buendia

Fernando Mexía, na Exame

A fama que muitos não conseguem obter durante toda vida é o principal prêmio de um concurso organizado pela empresa Willook no Facebook, o qual apresenta um único e definitivo desafio aos participantes: ser o primeiro a morrer.

A macabra competição, na verdade, é a última campanha lançada por essa companhia israelense para promover o “If I Die” (E se eu morrer), um aplicativo que opera nessa rede social e que oferece aos usuários a possibilidade de gravar uma mensagem de despedida, a qual seria publicada no mural do usuário após sua morte.

“Tivemos esta ideia desde o primeiro dia que pensamos em criar este serviço”, disse à agência Efe o fundador e executivo-chefe da Willook, Eram Alfonta, que deu início ao projeto “If I Die” em 2010 como um site. No entanto, em busca de uma maior visibilidade, o projeto passou a ser um aplicativo do Facebook em 2011.

“Achamos que todas as pessoas têm direito de divulgar suas últimas palavras, tornar público seu legado e, por isso, consideramos que um concurso (chamado “If I Die First”) seria o mais apropriado para que o serviço tivesse impacto na rede”, explicou Alfonta.

Os requisitos para participar desta corrida pela popularidade, que virá somente após a morte, são simples: estar vivo, ter uma conta no Facebook, instalar o aplicativo, entrar na opção “For a chance to World Fame” (por uma possibilidade de alcançar a fama mundial) e gravar sua mensagem para a posteridade.

O usuário que morrer antes dos outros competidores terá seu testemunho póstumo publicado em sites como o Mashable, uma referência na internet com mais de 20 milhões de visitas ao mês, assim como em revistas e outros veículos da imprensa internacional que participam da campanha.

A inscrição, que é gratuita e foi aberta no último sábado, já conta com mais de 1,2 mil pessoas inscritas, as quais aceitaram as regras da competição, que, por sua vez, se preocupa em não estimular os participantes a provocar sua própria morte.
“Se houver alguma suspeita de suicídio ou falecimento deliberado, o relato não será publicado. Temos uma política antisuicídio muito rigorosa”, comentou Alfonta, que ressalta que o “If I Die” não é uma plataforma a favor da morte, mas a favor do senso do humor.

“Achamos que todo mundo deveria gravar uma mensagem no “If I Die” porque nunca se sabe…”, completou o empreendedor.

Por conta da forma que o “If I Die” lida com a morte, Alfonta já recebeu muitas criticas, embora não tenha dado importância. Segundo o empresário, isso ocorre com “muitos aplicativos” e se as pessoas usam o Facebook em sua vida social, elas “também têm direito de morrer ali”. “É parte de nossa vida digital, nós funcionamos como um serviço funerário digital”, ironizou Alfonta.

Desde que estreou no Facebook em 2011, o “If I Die” já conta com mais de 213 mil usuários, sendo que apenas duas mortes foram registradas.

“O lado emotivo das mensagens nos impressionou muito. Eram mensagens de despedida, ambos de pessoas que já estavam doentes e sabiam que não lhes restava muito tempo. Uma delas deixou uma mensagem em vídeo e a outra em texto”, detalhou Alfonta.

O “If I Die”, que basicamente é gratuito, também estreou neste mês seu serviço pago, com o qual pretende lucrar o suficiente para evitar o uso de publicidade na internet.

Desta forma, os usuários “premium” poderão gravar mensagens que serão dirigidas somente às pessoas que desejarem, tendo conta no Facebook ou não, e terão um custo anual de manutenção de US$ 25, que correspondem a 5 mensagens de até 15 minutos cada uma.

A aplicativo “If I Die” é independente do inusitado concurso, que requer que os participantes gravem uma mensagem específica e cujo ganhador será anunciado em um prazo de 19 meses, segundo a estimativa dos organizadores.

“Não queremos que ocorra muito rápido, mas certamente algum de nossos usuários morrerá”, concluiu Alfonta.

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