Paulo Coelho: ‘Bruxaria? Eu fiz um pacto com Deus’

Edney Silvestre, no Bom dia Brasil

São 150 milhões de livros, mais de meio bilhão de leitores e 25 anos na lista dos mais vendidos. Paulo Coelho é o brasileiro mais lido da história. E recebeu o Bom Dia Brasil (assista ao vídeo) em casa. Falou de tudo: sucesso, fracasso, mágoas. Até da misteriosa doença no coração, revelada há alguns meses.

Prédios antigos, telhados centenários. A paisagem do velho mundo. O Bom Dia Brasil viajou mais de 9 mil quilômetros, do Rio de Janeiro a Genebra, para um encontro raro. No local onde mora e trabalha um dos brasileiros mais famosos do mundo.

Paulo Coelho vive na Suíça há quatro anos. Além do apartamento duplex que ele tem em Genebra, ele também tem residências em paris, Barcelona, um apartamento de frente para o mar de Copacabana, no Rio de Janeiro, e, agora, está planejando a compra de um apartamento duplex em Nova York. São frutos de muito dinheiro, trazido com a venda extraordinária de 150 milhões de livros no mundo inteiro.

Foi na casa dele, em Genebra, que Paulo Coelho escreveu seu último livro: Manuscrito Encontrado em Acra, lançado há um mês – e já na lista dos mais vendidos.

Logo na chegada, surpresa. “Você reparou meu escritório? Não tem um livro à vista”, diz o escritor. “Eu leio muito, mas não considero livro uma manifestação de status. Ou seja, não tenho uma vasta biblioteca aqui para mostrar a você e seus telespectadores que eu sou uma pessoa culta”, explica.

Paulo é ligado a novas tecnologias. Um homem do século XX, de olho nos séculos que ainda virão. “No fundo, o escritor é aquele que tem algo para passar através da palavra escrita e vem passando através do livro, passou para o livro eletrônico e do livro eletrônico começamos a ir além. E podemos ir para um Twitter, para um Facebook, para um blog”, aponta Paulo Coelho.

“O livro é um catalisador. O livro é aquilo que provoca dentro de você uma reação. A diferença do Manuscrito Encontrado em Acra, foi um livro que, quando eu escrevi, escrevi em 15 dias”, conta.

“Isso é uma coisa que eu aprendi na música. Todas as músicas que deram trabalho não fizeram sucesso. Todas as músicas que escrevi em cinco minutos foram os grandes sucessos”, revela.

“Todo livro que dá muito trabalho é que ainda não está maduro dentro de mim. Há uma fórmula para os meus livros, sim. Não use fórmulas. Imagine, se eu usar uma fórmula, nunca vou poder escrever Onze Minutos, um livro sobre prostituição”, afirma.

O mais bem sucedidos dos escritores brasileiros também conhece o fracasso. “Tem livros que não funcionam. Te dou um exemplo. Eu convivo com celebridades. É um meio absolutamente fascinante. Eu disse, vou escrever um livro sobre esse meio. O Vencedor Está Só. Vendagem? Zero!”, diz.

“A crítica faz diferença quando ela toca o leitor. Normalmente, quando você vê a crítica, você vê que ela não leu o livro, ela ataca o escritor. Mas, não contente em atacar o escritor, ela ataca os leitores. Aí eu sou tomado realmente de dores. O leitor não tem nada de estúpido”, afirma.

Para muitas pessoas, o sucesso de Paulo Coelho é resultado de bruxaria, boas traduções, misticismo e auto-ajuda. “As boas traduções, isso eu já ouvi. Ninguém pegaria um livro mal-escrito e traduziria bem. A bruxaria? Eu tenho um pacto com Deus, feito do fundo do meu coração. Eu peço a Deus que ele jamais me deixe desviar do meu caminho. Até agora, eu não me desviei pacto está assumido e, se Deus quiser, eu serei capaz de honrá-lo até o final”, afirma.

Em novembro de 2011, um exame de rotina trouxe a má notícia: o coração de Paulo estava parando. Ele tinha apenas um mês de vida. “Eu escrevi uma música com o Raul Seixas chamada canto para a minha morte”, lembra. “A morte é minha amiga. Não foi a primeira vez que andei perto da morte. Foi a primeira vez que andei publicamente perto da morte”. Paulo foi salvo por uma cirurgia.

“Manoel Bandeira tem um lindo verso sobre a morte que eu uso no Manuscrito de Acra. Não uso morte, uso ‘a indesejada das gentes’, em homenagem a esse poeta”, diz.
Ele diz que não tem medo da morte. “Adianta? Vai fazer um pouco de arco e flecha pra sair do estresse”, brinca.

Paulo Coelho diz que a fama não o incomoda. Mesmo com o assédio nas ruas e lojas de Genebra. “Os benefícios da fama são imensos, desde que você saiba usá-los como benefícios. A fama em si não é nada. A fama em si é um copo. Você pode botar água, vinho ou veneno”, diz.

 

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Paulo Coelho: ‘Bruxaria? Eu fiz um pacto com Deus’

Deixe o seu comentário