Breve manifesto contra as cirurgias íntimas

A mulher livre do mundo de Milo Manara

Xico Sá, na Folha de S.Paulo

Parem as máquinas. A vontade dos Maias pode ser cumprida agora. Para que esperar o Reveillon? É o fim do mundo.

Sobre cirurgia plástica íntima já havia tomado conhecimento. O que me assombrou foi uma frase da moça, uma modelo, estampada no caderno “Equilíbrio”, hoje, nesta Folha:

“A vagina não é bonita, dá para ficar melhor”’.

Nem no julgamento do Mensalão ouvi tamanha ignomínia dos homens da toga preta.

Repito: “A vagina não é bonita…”

Como assim, minha filha? Como ousa falar da melhor obra de Deus! Tudo bem, você pode redesenhá-la à vontade, tem gente mal-agradecida no mundo. Mas daí dizer que não bela, alto lá, é a maior das infâmias.

Seja como for, é bonita, é sagrada, é divina e merece orações diárias. Rezas orais falando segredos baixinho só para ela.

Vocês estão indo longe demais, moças, com essas obsessões plásticas. Parem com isso.

Li outrora, no “El País”, que muitas espanholas buscavam a intervenção cirúrgica para resgatar a virgindade. Muitas garotas de programa passavam a faturar alto ao simples anúncio de que eram virgens Camencitas.

Bobagem, meus amores.

E tem mais: alguns médicos alertam para o perigo da mulher perder alguma sensibilidade nos mais íntimos lábios. Depois não digam que não alertei.

Se a vagina –prefiro chamar por outro nome mais sonoro e nada científico- não é bonita, o que seria obra-prima neste mundo? Não troco a da minha amada pela coleção completa dos quadros impressionistas.

A mulher é o meu d’Orsay.

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