Ceia contextualizada

Fernando Maciel, no Ide por Toda Web

Já não é a primeira vez que publico uma passagem bíblica contextualizada (Jesus nunca foi tocado por uma prostituta), e, tal como a outra digo que o nosso escândalo ou espanto em ver a imagem se da por conta do nosso espírito farisaico, simplesmente porque a imagem não difere em nada em seu acontecimento original a não ser culturalmente falando.

Na última ceia de Jesus com seus discípulos estão a mesa todos aqueles que religiosamente falando são excluídos, a começar pelo simples fato de que todos naquela mesa não puderam seguir um rabino, pois, não passaram pelas fases de estudos conhecidas no sistema judaico da época, “Beit Sefer” primeiro, “Beit Talmud” segundo e tão pouco pelo “Beit Midrash” terceiro nível, pois, não eram intelectualmente capazes de prosseguir nos estudos da torah, sendo assim, por exemplo os pescadores na mesa com Jesus tiveram que seguir a profissão da família mesmo por não serem capazes, sem contar os cobradores de impostos que também acompanhavam Jesus na partilha do pão e do vinho, completamente mal visto e mal quistos pelos religiosos da época.

Evidente que Jesus não estava nem um pouco preocupado por seus discípulos serem excluídos pela religião, tão pouco preocupado com o antigo ditado que diz, “diga-me com quem tu andas, que te direi quem tu és”, ate mesmo por esta conduta Jesus já tinha sido também chamado de bêbado e guloso, somente porque comia na casa e participava das festas daqueles que os religiosos nem perto queriam chegar, porém, destes Jesus convivia com intimidade.

Interessante é que na pintura de Da Vinci representando a última ceia de Jesus, a mesa esta cheia de cálices, entretanto, na palestina na época de Jesus não era bem assim, neste tipo de ceia, o vinho era dividido entre todos no mesmo recipiente, o que me faz pensar em tantas coisas, porém, quero dividir apenas um pesamento:

“Será que tal como Jesus, nós estamos preparados para dividir a mesma mesa com os excluídos pela religião, e, não somente se assentar na mesma mesa, mas, dividir do mesmo copo o vinho?”

Pense em todos aqueles que pela religião são condenados e julgados, por seu comportamento, por sua sexualidade, cor, etnia, crença e se a resposta for Não, por que então não estamos preparados?!

Acredito e tenho fé de que um dos grandes ensinamentos deste momento da vida de Jesus é que não importam as nossas diferenças, pois, elas não devem nos separar mas sim em amor nos unir.

Suas instruções naquele dia foi para que quando cearmos, dividirmos a mesa, que assim seja feita em sua memória, por isso, quando penso em Jesus neste momento me vem a mente que naquela mesa ninguém foi excluído, nem aquele que minutos depois iria trai-lo, tão pouco aquele que horas depois iria nega-lo, porém, todos puderam dividir o seu corpo e o seu sangue representados naquela ceia.

E ainda ouso pensar que tal gesto realizado por Jesus, este de dividir o pão e o vinho dizendo“este é o meu corpo e o meu sangue que será entregue por todos vocês”, queira significar que o Senhor prefere ser divido ao meio para que não haja mais divisão entre nós, pois, somos todos irmãos.

Graça e Paz a todos!!!

Comentários

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1 Comentário

  1. O Corneteiro disse:

    Que texto desmistificador (tira os mitos e as vendas dos olhos)… É para desnudar as nossas mentes e os nosos espíritos dos ‘bichos grilo” que saracoteam em volta de nós como se a maior parte das coisas que nos passam entre quatro paredes da religiogidade formal ou o que absorvemos para nós como praxe, tudo fosse uma real verdade, intocável, sagrado, mas muitas vezes não é, chega ser esteriotipado e caricato. E já dizia Paulo que as coisas que temos como importante são panos para lavar o chão. Martelam (e nos deixamos martelar) a nossa cabeça a todo instante… são erros que nos paralisam a alma e a fé para melhores atuações para uma vida plena em Cristo.
    Jesus é uma pessoa mais próxima do que sentimos, pensamos ou imaginamos. Quando olhamos para nós como Igreja, falhamos muito por causa das muitas barreiras de pudor (cínica e falsa), dos muitos preconceitos, das disputas teológicas dos “times”, das bandeiras denominacionais doutrinárias, por inclível que pareça também de classes sociais, dos triunfalismo de se achar melhor que os não crentes e por aí vai, a lista é grande. Como estamos distantes de ser pequenos cristos (cristãos).

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