‘Tchu-tchar’ não é termo ofensivo, decide Justiça Eleitoral

Bruno Lupion, no Estadão

Após ganhar as ruas com a comemoração de gols pelo jogador de futebol Neymar, ser incorporada no jingle da campanha do tucano José Serra e parodiada pela propaganda do candidato petista, Fernando Haddad, a música da dupla sertaneja João Lucas e Marcelo, “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”, chegou aos bancos da Justiça Eleitoral.

A disputa semântica se refere ao termo “tchu-tchar”, usado em um programa de rádio da campanha petista para ironizar o tucano. Na peça, o locutor afirma que Serra irá “tchu-tchar” a cidade se for eleito.

Coube ao juiz Henrique Harris Júnior decidir se “tchu-tchar” tem ou não conotação sexual. Ele se pronunciou ontem pela liberação do termo. “Não se vislumbra nenhuma maledicência ou duplo sentido com conotação sexual ou de atos libidinosos”, sentenciou.

Os advogados de Serra pediam o fim da veiculação da programa, argumentando que “tchu-tchar” deriva de “chuchar” que, segundo o dicionário Houaiss, pode significar “mamar no seio, praticar sexo oral”. Para eles, a paródia insinua que Serra cometeria vulgaridades com a cidade. O PT rebateu, dizendo que não houve ridicularização do oponente e que o termo foi usado para mostrar o suposto desejo de mudança do eleitor.

Na decisão, Harris Júnior afirmou que a paródia se insere no direito de crítica. “Se os representantes (tucanos) entendem que o termo ‘tchu tcha’ tem conotação maliciosa, deveriam ter refletido sobre tais questões antes de terem adotado como jingle a melodia da obra musical”, disse.

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