Suplente de Marta diz que Igreja pautará sua atuação

Catia Seabra, na Folha de S.Paulo

Musa do movimento gay e defensora da liberação do aborto, a futura ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT-SP), será sucedida no Senado por um político que advoga opiniões opostas.

Dizendo-se “católico praticante”, o vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR), seu suplente, é contra aborto, eutanásia e casamento civil entre pessoas de mesmo sexo.

“Sou contra. Homem é homem. Mulher é mulher. Posso perder voto dos gays. Mas sou transparente”, afirma.

Questionado sobre a discrepância de seu perfil com o de Marta, “Carlinhos”, como é chamado, diz que tem sua personalidade. E avisa: “Vou acompanhar a Igreja Católica Apostólica Romana”.

Embora declarando-se “voto vencido” quanto ao apoio do PR a José Serra em São Paulo, ele diz que manterá o acordo com o PSDB.

Mas sem deixar de cutucar Serra ao responder se o informara sobre essa posição: “Hoje, não falei. É que acordo cedo. Ele acorda tarde. É difícil falar com ele de manhã”. Serra é assumidamente notívago.

Rodrigues se licenciou ontem da Câmara de Vereadores. Em breve discurso, disse que, mesmo prestes a assumir a vaga no Senado, concorrerá à releeição na Câmara paulistana.

Para justificar a manutenção da candidatura, disse que no Senado pode ficar “tanto um como dois dias”. “O Barros Munhoz ficou 35 dias só”, lembrou ele, apesar de apostar na longevidade de Marta no cargo porque ela e “Dilma Rousseff combinam”.

“São iguaizinhas.”

Na Esplanada, diz, “não tem moleza com as mulheres”. E a “única boazinha” é Ideli Salvatti (Relações Institucionais), diz.

Rodrigues já traz pronto o argumento para preservar o voto de seu eleitorado, concentrado no extremo da Zona Sul: “No Senado, vão ver o que vou fazer pela minha região. Vou ser o vereador-senador. Não tenho pretensões de ser candidato a senador”, diz ele.

Logo depois, entretanto, ele diz que ficará em Brasília: “Eu não volto mais. Disputo para federal a próxima”.

O Senado, para ele, “é outro nível”.

Carlinhos dispensa enxoval para o novo desafio. Diz que tem mais de 60 ternos, numerados para evitar repetições:

“Até as cuecas são iguais.”

dica do George Huxcley

matéria da CartaCapital ajuda a conhecer melhor o cabra:

Em sua gestão como diretor-presidente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (1991-1994), o Tribunal de Contas de São Paulo identificou problemas que resultaram em 11 processos, que apontavam, entre outras suspeitas, suposta concorrência ilegal, irregularidades em contratos e prorrogações.

peraê… e o que ele fez de relevante? pegue o plasil e vem comigo…

Como vereador, Rodrigues foi responsável pela elaboração de projetos como o que fixou a segunda semana de agosto como a “Semana do Esporte Radical da Zona Sul”, seu reduto. Ele também é autor do projeto de lei que altera a denominação do Viaduto do Chá para “Viaduto do Chá Octavio Frias de Oliveira”. O site Transparência Brasil lista uma série de projetos de sua autoria em beneficio da comunidade evangélica em São Paulo, como a oferta de horários diferenciados aos alunos membros da Igreja Adventista da rede pública e a liberação do uso de nomes, logotipos e logomarcas de instituições religiosas sem que fossem considerados como propaganda.

Em 2006, ele aprovou na Câmara o “Dia do Desbravador”, o “Dia do Racionalismo Cristão” e o “Dia do Anão”, além da concessão dos títulos de cidadãos paulistanos a Alberto Santos Dumont e ao goleiro Marcos, ídolo de seu time do coração, o Palmeiras.

sem mais.

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