‘Prefiro ver meu filho preso a enterrá-lo’, diz pai de jovem acusado de matar policial na Rocinha

Rafael de Barros, de 18 anos, confessa morte de PM na Rocinha Márcia Foletto / O Globo

Publicado originalmente no O Globo

Rafael Silva de Barros, 18 anos, confessou ter matado o PM o policial militar Diego Bruno Barbosa Henriques na Rocinha, na última quinta-feira. O rapaz foi preso na manhã desta segunda-feira por policiais da 14 ª DP (Leblon). Ele foi encontrado embaixo de um viaduto, em Botafogo, depois que o pai foi até a delegacia para revelar o paradeiro do filho. Antonio Fernando, de 40 anos, disse que estava muito triste com a situação, porque nunca imaginou que passaria por isso um dia. Ele explicou ainda que decidiu procurar a polícia por medo.

— Minha preocupação era ver meu filho morto. Prefiro que ele seja preso do que ter de enterrá-lo — contou. Antonio contou ainda que estava em casa quando a esposa lhe disse que o filho era o suspeito da morte do policial militar.
Rafael estava dormindo quando os policiais chegaram ao local indicado. No momento em que foi abordado, o jovem não portava drogas nem armas e não resistiu à abordagem. Segundo a polícia, o criminoso estava refugiado no local desde sexta-feira, um dia após a morte do PM. A delegada Flávia Monteiro, titular da 14ª DP, prendeu Rafael temporariamente sob acusação de homicídio.

— O pai do menino já me conhecia porque eu prendi o garoto quatro meses atrás por tráfico de drogas. Na época, Rafael ainda era menor. Ele veio falar diretamente comigo quando viu a foto do filho divulgada na imprensa — contou a delegada.
No momento em que chegou na delegacia, Rafael negou o crime, mas acabou admitindo a morte do PM, embora não tenha revelado a identidade de nenhum outro envolvido no crime. Rafael se diz arrependido do que fez, mas reservou-se ao direito de prestar depoimento para delegada e não quis dar detalhes do caso para os jornalistas.

O outro suspeito de participação no crime, Ronaldo Azevedo Oliveira da Cunha, de 24 anos, ainda está foragido. No sábado, a Divisão de Homicídios (DH/Capital) havia divulgado as fotos dos dois suspeitos de terem assassinado o PM.
Cerca de 40 policiais da DH realizaram uma operação na Favela da Rocinha também no sábado para tentar encontrar os acusados. Mas os trabalhos foram encerrados no início da tarde do mesmo dia sem que eles fossem localizados.

Na sexta-feira, o coronel Rogério Seabra, comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), chegou a afirmar que o jovem teria admitido ter feito os disparos contra o PM, mas em nota, a Polícia Civil informou que a DH ainda investigava a participação do detido no caso.

O PM Diego Bruno Barbosa Henriques fazia patrulhamento de rotina a pé na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, na noite de quinta-feira, quando foi morto. Segundo o coronel Rogério Seabra, o menor infrator teria dito que estava com dois comparsas no momento em que fez o disparo.

Diego foi enterrado na sexta-feira. Na cerimônia, parentes e amigos estavam muito emocionados. Ele tinha um relacionamento de oito anos com Hellen Teixeira Silva, de 22 anos, com quem planejava se casar nas próximas semanas. O soldado foi morto faltando uma semana para a inauguração da UPP da Rocinha, com um tiro no rosto. A inauguração da UPP da Rocinha está prevista para a próxima quinta-feira. A unidade terá o efetivo de 700 policiais.

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