Quanto tempo é necessário para fazer piadas depois de uma tragédia?


Piada que circula na internet comparando o personagem de TV que tem três mulheres com o executivo da Yoki morto pela esposa

Stephanie D’Ornelas, no HypeScience

No Twitter e Facebook, basta acontecer alguma tragédia de repercussão nacional e surgem centenas de piadas instantaneamente. No famoso caso Yoki, em que o empresário Marcos Matsunaga foi assassinado pela mulher, não demorou a surgirem milhares de pessoas compartilhando piadas e fotos satirizando o caso, como uma montagem que mostra uma farofa da Yoki com sabor “picadinho chinês”. Engraçado para alguns, mas muito cedo para qualquer tipo de piada para outros.

Afinal, quanto tempo depois de uma tragédia é possível achar graça dela? Pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, afirmam que não é apenas o tempo que importa nesses casos, mas também a gravidade do acontecimento e proximidade do humorista e dos ouvintes à ele. Antes de fazer qualquer brincadeira, é preciso analisar o quão ruim e distante é o evento infeliz – ou quem está fazendo a piada vai receber algumas vaias e xingamentos.

Não é apenas uma questão de tempo

Participantes de uma pesquisa online tiveram que descrever situações que ficaram mais engraçadas ou que perderam a graça com o tempo. Também foi solicitado que eles descrevessem a gravidade da situação. Os eventos que ficaram mais engraçados com o tempo geralmente eram classificados como mais graves do que as situações que perderam seu humor.

Eventos graves, como um atropelamento por um carro, não podem ser motivo de piada no dia seguinte, por exemplo. Situações desse tipo foram classificadas como engraçadas depois de vários anos. Se uma pessoa machucar o dedo do pé o batendo contra algum móvel na frente de amigos a situação pode até ser engraçada na hora ou no dia seguinte – mas ninguém vai lembrar disso e rir depois de um mês.

Em outro estudo, estudantes tiveram que ler postagens de desconhecidos e amigos no Facebook, em que eles diziam que acidentalmente doaram dinheiro a partir de mensagem de texto. Os participantes acharam mais engraçado quando um entranho acidentalmente doava 3.800 reais do que quando seus amigos faziam isso. Mas se fosse uma doação de 100 reais, os estudantes achavam mais engraçado quando seus amigos cometiam o erro.

Os cientistas deixam o recado: antes de fazer qualquer piada sobre uma situação infeliz do passado, a gravidade e aceitação das pessoas sobre o caso são importantes. Vale o bom senso antes de sair fazendo piadas sobre casos infelizes que aconteceram com estranhos ou amigos. [MSN/Eurekalert]

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