Religião e críticas causaram queda de Russomanno, afirmam analistas

Candidato do PRB liderou quase todas as pesquisas e terminou eleição em terceiro
Foto: Adriano Lima/Terra

Publicado originalmente no Terra

A queda do candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, se deve a desconstrução de sua imagem por meio de críticas dos opositores, na opinião de analistas políticos. Líder na maioria das pesquisas de intenção de voto divulgadas durante a campanha, Russomanno terminou a disputa em terceiro lugar, com 21% dos votos (nas pesquisas, ele chegou a alcançar 35%). Para o cientista político Marcus Ianoni, as ligações do comunicador com a Igreja Universal e o fato de o candidato do PT, Fernando Haddad, se tornar cada vez mais conhecido do eleitorado ao longo da campanha, contribuíram para a queda.

“O Russomanno foi uma bolha que estourou. Durante a campanha, ele sofreu críticas importantes que tiveram impacto na opinião pública”, afirma Ianoni. De acordo com o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), uma dessas críticas significativas foi feita por Haddad sobre a proposta de Russomanno de reorganizar o sistema de cobrança de passagens do transporte público. “O Haddad foi feliz em abordar as consequências da proposta de transporte do Russomanno, que prejudicaria a população de baixa renda. Foi um debate de políticas públicas muito bem aproveitado pelo Haddad que, ao fazer a crítica técnica da proposta, passou para o eleitorado a impressão de que seria prejudicado”, diz Ianoni.

Para o cientista político Ricardo Caldas, professor da Universidade de Brasília (UnB), houve um processo de desconstrução do candidato que, inicialmente, surgiu como uma nova liderança. “O Russomanno se aproveitou de um espaço que havia na disputa. Tentou conquistar as pessoas que estavam cansadas do José Serra (PSDB) e não queriam votar no PT”, afirma.

Segundo Caldas, aos poucos, os eleitores foram percebendo que o candidato do PRB não representava nenhuma novidade na política. “O eleitor acabou vendo que ele era um político tradicional, com as mesmas as práticas e que, além disso, tinha se aliado a uma igreja que não era necessariamente a dele para concorrer à Prefeitura”, argumenta. O cientista político lembra o vazamento “de diversos fatos negativos” como fatores que influenciaram a “desmotivação” do eleitor com o candidato. “Ele estava fazendo o papel do defensor do eleitor e, de repente, no final da eleição, se descobre que ele não era novo, não era original”.

O professor Marcus Ianoni cita três pontos principais que influenciaram o “estouro da bolha” Russomanno. Além das críticas técnicas feitas por Fernando Haddad quanto às propostas do candidato do PRB, o próprio petista foi tirando votos do opositor à medida que se tornava mais conhecido da maioria do eleitorado. O cientista político lembra que Haddad começou a campanha com 3% das intenções de voto e cresceu aos poucos. “Não estava claro para uma parcela significativa do eleitorado da periferia paulistana que o Haddad era o candidato do PT e do Lula”, afirma.

O professor Marcus Ianoni ainda cita as críticas às ligações de Russomanno com a Igreja Universal, inicialmente levantadas pelo candidato do PMDB, Gabriel Chalita. “Russomanno, embora se declare católico, é vinculado a um grupo político (o partido) e a outro midiático (Record) ligado à Universal. Embora os evangélicos sejam fortes, os católicos também são fortes”, diz.

Ao longo da campanha, Russomanno foi o principal alvo dos ataques dos adversários por ser o primeiro colocado nas pesquisas. Para o cientista político, o candidato e seu partido não souberam responder às provocações. “Não é a toa que ele foi chamado de bolha que estourou. Tanto o partido, quando ele mesmo, não tem a tradição do PSDB e do PT em São Paulo”, afirma.

Russomanno recebeu os votos de 1.323.375 eleitores, 21,6% do total, mas o número não foi suficiente para levá-lo ao segundo turno. José Serra foi o primeiro colocado na eleição paulistana com 30,7% e Fernando Haddad, o segundo, com 28,9%. Os dois vão disputar o segundo turno no dia 28 de outubro.

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