PT-SP articula ato com líderes evangélicos

O candidato Fernando Haddad (PT) participa de plenária no Sindicato dos Eletricitários, na região central, nesta quarta-feira (17)

Bernardo Mello Franco, na Folha de S.Paulo

O PT articula um ato com pastores evangélicos para defender o candidato Fernando Haddad das críticas de líderes de igrejas que apoiam seu adversário José Serra, do PSDB, na eleição paulistana.

O principal objetivo é blindar o petista de ataques do pastor Silas Malafaia, que lidera a campanha contra o chamado “kit gay” do Ministério da Educação.

Além do ato, a campanha negocia a divulgação de um manifesto assinado por religiosos dizendo que o candidato não persegue evangélicos e, se eleito, respeitará a liberdade religiosa na cidade.

A estratégia foi discutida nos últimos dias entre dirigentes do comitê petista e pastores que no primeiro turno apoiaram os candidatos Celso Russomanno (PRB) e Gabriel Chalita (PMDB).

Eles foram recebidos em reuniões discretas na sede municipal do PT e em gabinetes de vereadores da sigla.

O mais visado do grupo é o pastor Marcos Galdino, que comanda a Assembleia de Deus Ministério Santo Amaro, na zona sul. Em setembro, ele foi flagrado pedindo votos para Russomanno em seu maior templo, o que é proibido pela legislação eleitoral.

Quando o caso veio à tona, Haddad criticou a “instrumentalização” de igrejas em campanhas rivais e prometeu não buscar o apoio formal de nenhuma denominação.

Ontem à noite, o pastor Renato Galdino, filho de Marcos, disse à reportagem que a igreja está “neutra”, mas deve anunciar apoio a um candidato nos próximos dias.

Os petistas também já contabilizam a adesão do pastor Samuel Câmara, líder da maior dissidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus. Ele disputa o controle da igreja com o pastor José Wellington, aliado de Serra.

O PT ainda negocia o apoio do bispo Robson Rodovalho, líder da igreja Sara Nossa Terra, e da igreja Assembleia de Deus Nipo-Brasileira, que tem um grande templo na Liberdade (região central).

Segundo o pastor Eraldo Silva, que comanda templos na região do Jardim Ângela (zona sul), a prioridade é dizer aos fiéis que não se influenciem pelos ataques de Malafaia a Haddad.

“O discurso dele é para boi dormir. O Lula e a Dilma já mostraram que o PT não persegue igreja”, disse.

Os petistas apostam na insatisfação de pastores de igrejas da periferia com o prefeito Gilberto Kassab (PSD), que fez operações para reprimir a poluição sonora em cultos. Nas conversas, os petistas têm se comprometido a “dialogar” sobre o assunto se Haddad vencer a eleição.

foto: Fabio Braga/Folhapress

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