Criatividade e insanidade andam de mãos dadas


Virginia Woolf

Guilherme de Souza, no HypeScience

Normalmente vistos com um misto de preocupação e desconfiança, transtornos psicológicos podem, de certa forma, ajudar pessoas que trabalham em áreas que exigem criatividade constante (como literatura, dança, fotografia e publicidade). Para o psiquiatra Simon Kyaga, a ideia de que certos fenômenos relacionados à doença do paciente podem ser benéficos “abre novos caminhos para o tratamento”.

O interesse restrito e intenso de uma pessoa com autismo, por exemplo, poderia ajudá-la a manter o foco e a determinação necessários para se fazer um trabalho criativo. Da mesma forma, os pensamentos desordenados de um esquizofrênico poderiam ajudar na busca por originalidade.

“Na psiquiatria e na medicina, há uma tradição de se ver a doença em preto-e-branco e tratar o paciente removendo tudo o que é considerado mórbido”, explica Kyaga. No caso de traços potencialmente benéficos, “médico e paciente devem chegar a um acordo em relação àquilo que deve ser tratado, e a que custo”.

A mente dos escritores

Em estudo publicado recentemente, depois de analisar dados clínicos de mais de 1,17 milhões de pessoas. Kyaga e outros pesquisadores demonstraram que pessoas que trabalham com criatividade têm mais chances de desenvolver transtorno bipolar.

Entre escritores, contudo, a situação se mostra mais complicada: “Ser um escritor estava especificamente associado com um maior risco de esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, transtorno de ansiedade, abuso de drogas e suicídio”, escrevem os autores. Casos como os de Virginia Woolf e Ernest Hemingway, célebres escritores que cometeram suicídio, vêm à mente.

“É importante que nós não ‘romantizemos’ pessoas com problemas de saúde mental, que são muitas vezes retratadas como esforçados gênios criativos”, ressalta Beth Murphy, da entidade de apoio a pessoas com doenças psicológicas Mind. “Sabemos que uma em cada quatro pessoas será diagnosticada esse ano com um problema de saúde mental, e que essas pessoas virão dos mais diferentes cenários, profissões e caminhos”. Murphy não descarta a visão otimista defendida por Kyaga, mas destaca a importância da informação e do apoio de que as pessoas precisam para lidar com doenças da mente.[BBC] [Mind]

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